Blindagem próxima dos carros populares
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de março de 2003
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O medo da violência está fazendo crescer o mercado de blindagem de veículos. Apesar do serviço estar disponível no Brasil há apenas oito anos, o País já é o segundo maior mercado da América Latina, com 52 empresas blindadora, atrás doMéxico, que ainda concentra a maior frota de blindados.
De olho nessa tendência, a Euracom Security Cars firmou parceria com a SEC Soluções em Comercialização, de Curitiba, e assim ter representação na região Sul do País. Com sede na Alemanha, a empresa entrou no Brasil há dois anos, ao adquirir 80% do controle da empresa Safe Tech, de São Paulo, onde mantém sua linha de montagem.
Luiz Carlos de Carvalho, diretor da SEC, diz que São Paulo concentra a maior parte do mercado de blindagem automotiva. Mas o aumento da criminalidade despertou o interesse de empresas especializadas em se instalar em outras capitais. Foi o caso da Euracom que acabou vendo em Curitiba e outras grandes cidades do Sul um mercado potencial. Ele lembrou de recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, que apontou o curitibano como o cidadão brasileiro mais preocupado com a violência.
O que chama a atenção, segundo Carvalho, é que apesar do alto custo para blindar um carro, a procura não se limita a veículos de padrão de luxo. A classe média também está interessada em se proteger.
Marcelo Martini Messa, presidente da Euracom no Brasil, confirma a mudança de perfil dos clientes, o que levou a empresa a pensar em blindagem de carros populares. Até pouco tempo, relatou, a clientela da Euracom era formada exclusivamente por pessoas da classe A. Agora, pequenos empresários e gerentes de empresas de médio porte já estão entre os seus clientes.
Messa diz que o setor de engenharia da Euracom, também sediado na Alemanha, procura materiais alternativos para reduzir o custo. A blindagem de nível IIIA (a que a Euracom mais comercializa) usa vidros de 21 milímetros de espessura e aço balístico de 2,7 milímetros, que suporta disparos de uma Magnum 44 e até de metralhadora 9 milímetros. Para os carros populares, a idéia é usar vidros e aço menos espessos, mas sem abrir mão da segurança.
Isto também permitirá reduzir o peso da blindagem para veículos de menor potência e não comprometer o seu desempenho. A blindagem IIIA acresce 210 quilos ao veículos, entre vidros e aço. Messa calcula que a Euracom consiga blindar veículos populares a um custo de R$ 25 mil. Isso é, quem quiser mais segurança tem de estar a disposto a pagar, no mínimo, o mesmo valor do carro, na blindagem.


