Blecaute faz cair ações da light em cerca de 8%
Agência Folha
Não é só à falta de energia que o nome Light pode ser associado nos últimos tempos. Desde o início do ano, quando se agravaram os problemas de blecaute no Rio, o valor das ações da companhia já caiu cerca de 8%. No mesmo período, o
Ibovespa, índice geral da Bolsa paulista, teve valorização de 2%. Ainda não é possível dizer que os papéis da Light sofreram uma pane. Eles até que resistiram bem à onda de ataques contra a empresa, mas seu desempenho no ano vai depender de como se desenrolar a queda-de-braço entre a distribuidora de energia, governo e empresas para quem ela fornece.
Antes do agravamento da crise de energia no Rio, a analista Daniela
Balassiano, da Ático Administração de Recursos, acreditava que as ações da Light ainda não estavam no preço ideal, apesar de problemas já detectados no balanço do primeiro semestre de 97.
Agora, Balassiano, como grande parte dos analistas, deve refazer suas
contas. Ela enumera três problemas fundamentais que podem afetar os
resultados em 98.
O primeiro é que a companhia será obrigada a aumentar os investimentos em infra-estrutura previstos, medida que já vinha sendo adotada, mas não no ritmo necessário para acompanhar o crescimento da demanda. Em segundo lugar, a empresa também pode ser obrigada a gastar com contratação de novos funcionários ou com empresas terceirizadas para suprir a carência de atendimento aos consumidores. Com a privatização, a Light fez um corte de aproximadamente 40% no pessoal. Mas a demanda cresceu muito e, agora, há chances de ela ser obrigada a aumentar gastos com mão-de-obra, afirma. Por último, a Light pode perder dinheiro com multas de órgãos do governo e processos de empresas que utilizam seus serviços.
Na semana passada, a Aneel, a agência nacional criada para regular o setor energético, já lhe sapecou uma multa de R$ 200 milhões. E as ameaças não acabaram: a SDE (Secretaria de Direito Econômico), ligada ao Ministério da Justiça, e funcionários da Companhia Siderúrgica Nacional podem acionar
judicialmente a companhia.





