Black Friday exige cuidados sobre preços e fraudes
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
A chance de comprar com descontos de mais de 50% durante a Black Friday faz os olhos do brasileiro brilharem ainda mais devido à redução no consumo imposta pela crise econômica, mas é preciso cuidado. A Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm) estima para este ano em R$ 1,3 bilhão a movimentação em vendas na data no País, mas especialistas em segurança na internet e em consumo consciente alertam que é preciso reconhecer as falsas promoções e os golpes na web, que já renderam a edições anteriores da data comercial o apelido de "Black Fraude".
Data comercial mais lucrativa nos Estados Unidos, sempre na sexta-feira após o feriado de Ação de Graças, o evento virou moda no Brasil e tem contado com movimentação financeira cada vez maior desde 2010. Foram R$ 871,9 milhões em vendas no ano passado, ou 48% a mais do que em 2013, de acordo com a ClearSale.
O problema é que o que parece uma boa oportunidade pode virar uma enganação ou se tornar uma dor de cabeça. Nos anos anteriores, internautas reclamaram que muitas lojas aumentaram os preços nos dias anteriores à Black Friday, em alguns casos com ofertas que ofereciam 50% de desconto para preços duas vezes maiores do que o normal.
A coordenadora institucional da Proteste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, afirma que é preciso definir um modelo do produto que se quer comprar, acompanhar os preços durante ao menos um mês e observar questões como se o produto está para sair de linha, já que já entraria em promoção de qualquer modo. "A pessoa deve verificar se há custo-benefício, se é prioridade no consumo e se é realmente necessário."
Ela alerta para promoções "boas demais". "É sinal de perigo, porque pode ser um produto pirata, clandestino, ou mesmo com origem em um golpe", explica Maria Inês. Isso porque são comuns os casos de lojas on-line que vendem e não entregam. "Deve-se buscar informações sobre a loja, ver se há informações sobre endereços físicos, que são obrigatórias nos sites, e se não há muitas reclamações em sites como o Reclame Aqui", completa. Em casos de suspeitas, os consumidores podem salvar em seus computadores as informações sobre as promoções e procurar instituições como a Proteste e o Procon.
O engenheiro de produtos da Intel Security, Thiago Hyppolito, lembra que existem sites e aplicativos que mostram o histórico de preços, para evitar erros comuns. "Orientamos o consumidor a ficar desconfiado de condições imperdíveis, mas o problema é que ele está esperando por essa condição espetacular e acaba baixando a guarda", diz.
Assim, a Black Friday vira um prato cheio para fraudes e armadilhas virtuais, como a criação de sites fraudulentos, a divulgação de ofertas falsas, o envio de malwares escondidos em e-mails e o furto de dados, atividades que tendem a aumentar pelo tamanho da movimentação financeira. "Se a pessoa recebe um e-mail com uma promoção, não deve clicar, principalmente se houver uma palavra extra no link que indique clonagem de endereço, como 2015 ou blackfriday. Observe o nome da loja e entre no endereço oficial", sugere Hyppolito.
Ele lembra ainda que não se deve usar computadores coletivos, como de lan houses ou empresas, para fazer compras. "Use um equipamento que conheça, que esteja com programas de segurança atualizados e, se possível, com cartão de crédito", completa o engenheiro de segurança. Ele afirma que, nessa modalidade de compra, é possível cancelar o pagamento e recuperar o dinheiro se houver fraude, diferentemente do que ocorre com cartões de débito ou boleto bancário.


