Curitiba - No primeiro dia da versão doméstica ''Black Friday'', evento de origem norte-americana que reúne liquidações de lojas virtuais e algumas físicas no Brasil, o que se viu foi a insatisfação dos consumidores nas redes sociais.
Houve reclamações sobre os sites, que a partir da zero hora de ontem ficaram fora do ar devido à queda do servidor, e, principalmente, sobre a escassez de promoções com os descontos prometidos, de até 75%.
Segundo o Busca Descontos, empresa organizadora do evento, foram bloqueadas ontem 500 ofertas de diversas lojas que ''inflaram'' os preços dos produtos. Ou seja, aumentaram os valores antes da data para depois venderem por um preço menor ou simplesmente não ofereceram os descontos prometidos.
''É lamentável que algumas lojas ainda insistam em fazer maquiagem de preço. Contamos com a ajuda dos consumidores nesse momento para que denunciem as ofertas falsas'', afirmou ontem Pedro Eugênio, CEO do Busca Descontos.
A indisponibilidade do site, segundo os organizadores, foi causada pela grande quantidade de acessos. Nos primeiros minutos da promoção, foram registrados 75 mil acessos simultâneos, o que ultrapassou a capacidade máxima do servidor. Os itens mais procurados foram celulares, equipamentos de informática, eletrônicos, eletrodomésticos e games.
Nas redes sociais, muitos internautas exibiam a mensagem ''Tudo pela metade do dobro''. Havia ainda pessoas que fizeram campanha virtual para que hoje seja um ''Dia sem Compra''. No site reclameaqui.com.br, havia relatos de consumidores que não conseguiram realizar uma compra mesmo tentando através de três computadores diferentes. Outros diziam que não conseguiam comprar com desconto e nem sem desconto. Um outro consumidor relatava que tentou comprar uma lavadora e um tablet, mas na hora de finalizar o pagamento, o site travava.
Um cliente contava que ia comprar uma TV LED de 40 polegadas que custava R$ 1.529,10 no dia 20 de novembro e esperou a promoção. Ontem, o mesmo produto saía por R$ 1.699. O site jacotei.com.br faz comparações de preços dos mais diversos produtos. Uma geladeira frost free custava R$ 999 no dia 11 de novembro. Na quinta-feira subiu para R$ 1.499 e, ontem, era vendida por R$ 999, ou seja, não houve desconto real. Este site divulga gráficos comparando preços entre lojas virtuais.
O advogado do Procon-PR, Gustavo Godke, disse que este tipo de prática das lojas virtuais pode ser considerada propaganda enganosa que é enquadrada no artigo 37, parágrafo 1º do Código de Defesa do Consumidor. Ontem, o Procon-SP notificou sete grandes varejistas por ''indícios de maquiagem nos descontos'' com base em denúncias dos consumidores.
Ele destacou que a pesquisa de preços é fundamental e recomendou que as pessoas nunca comprem por impulso. Primeiro é preciso verificar se a pessoa tem condições de encaixar a compra no orçamento. Godke explicou que o consumidor tem o direito de se arrepender da compra pela internet em um prazo de sete dias e pedir o dinheiro de volta. Caso a loja não devolva o valor, deve procurar o Procon ou mesmo o Juizado Especial Cível. (Com Folhapress)

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