Bitcoin: criptomoeda deixa a desconfiança e se valoriza
Confira os investimentos que mais se destacaram no primeiro semestre de 2021 e a perspectiva para o cenário pós-vacinação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de julho de 2021
Confira os investimentos que mais se destacaram no primeiro semestre de 2021 e a perspectiva para o cenário pós-vacinação
Debora Mantovani - Estagiária* 

A bitcoin é o investimento que teve maior alta no primeiro semestre de 2021, de acordo com o buscador de investimentos Yubb, que considera as aplicações mais populares entre brasileiros. A economista e empreendedora Angelina Nunes Santos explica os principais motivos que levaram a este crescimento. “Um dos fatores é a popularização desta criptomoeda”, avalia. “Por exemplo, o PayPal [uma espécie de carteira digital] finalmente anunciou que vai aceitar transações em bitcoin”.
A criptomoeda acumulou alta de 19,65% neste primeiro semestre, sendo o único ativo do levantamento a superar o IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado, usado no reajuste dos aluguéis), que sobe 15,08% neste ano.
Santos explica que esta alta da Bitcoin já vinha sendo observada por analistas desde meados de dezembro de 2020. “Algumas empresas internacionais estão investindo em Bitcoin, como a MassMutual [uma companhia estadunidense de seguros e serviços financeiros], que comprou em dezembro US$ 100 milhões em bitcoin”, exemplifica.
“Essas adesões fazem aumentar a confiança na criptomoeda, elevando seu valor.” Segundo a economista, outro ponto que influenciou a popularização da criptomoeda foi a inflação acentuada pela crise mundial causada pela pandemia. “O poder de compra da população caiu. A bitcoin passou a ser vista, então, como uma alternativa em um momento em que os investimentos tradicionais estão desvalorizados”, demonstra.
Ela comenta que cresceu a confiança na criptomoeda. “As pessoas passaram a buscar ativos que não se desvalorizam frente à inflação, o que, junto a uma maior confiança na Bitcoin, proporcionou um aumento na demanda e, consequentemente, a alta da criptomoeda”.
Oscilações no dólar
Chamaram a atenção dos investidores também as oscilações do dólar no primeiro semestre. No último mês, a moeda estadunidense havia descido para menos de 5 reais. Já acima desta barreira novamente, o dólar suscita questões sobre como os investidores brasileiros podem avaliar o momento adequado de investir na moeda. “É bastante arriscado falar do dólar, pois tem muitas variáveis envolvidas, e é bastante instável”, explica Santos. Ela comenta que a queda observada ao final do mês de junho se deve principalmente à inquietação do mercado com a taxa de juros americana.
“No final do mês passado, o diretor do Federal Reserve [banco central dos Estados Unidos] disse em um depoimento no Congresso americano que não pretende aumentar as taxas de juros ‘de forma preventiva, porque há um receio quanto a um possível início de inflação’. Muitos investidores entenderam, diante desse depoimento, que os juros americanos vão demorar para subir”, pontua a economista.
Portanto, com a impressão de que os juros nos Estados Unidos estariam baixos por um bom tempo, surgiram questões sobre o carry trade. “É importante, porém, lembrar que o carry trade só vale a pena se a taxa de juros no Brasil estiver alta”, informa Santos, e explica o que é a prática. “O carry trade é quando um investidor contrai um empréstimo em um país com juros baixos, faz o câmbio e investe em outro país onde os juros são mais altos. O resultado da operação é a diferença de juros entre os países (empréstimo e investimento) e o investidor ganha por essa diferença da taxa cambial da operação”, afirma. “Mas isso só compensa se os juros no Brasil estiverem altos”, reitera. Diante das oscilações, portanto, ela recomenda cautela para quem pensa em fazer aplicações que envolvam o dólar. “São muitas variáveis envolvidas, e fazer previsões sobre isso é uma das atividades mais difíceis de serem feitas”, explica.
Investimentos e pandemia: perspectivas para depois da vacinação
“A vacinação é a grande esperança para um retorno à normalidade”, afirma Angelina Santos. “O Banco Mundial prevê um crescimento de 5% no PIB (Produto Interno Bruto) mundial, caso a vacinação seja eficaz e rápida. Então, a expectativa é que, com a vacinação da população, poderá haver um impulsionamento do crescimento da economia e, consequentemente um aumento nos investimentos.”
A economista esclarece, entretanto, que com uma recuperação da economia, a previsão é de que a população foque mais em investir em negócios do que em aplicações. “A tendência é que, se a economia está bem, as pessoas investem mais em empresas, na indústria, e caem os investimentos em moedas, como bitcoin e dólar, e outras aplicações”, informa.


