O diretor do Banco Mundial (Bird) no Brasil, Gobind Nankani, elogiou a política cambial adotada pela equipe econômica e disse que o País não precisa adotar medidas adicionais para frear o fluxo de capitais externos. Ele previu entre 1% e 2% o crescimento da economia brasileira neste ano em relação a 1997. ‘‘O regime de banda cambial tem a flexibilidade suficiente para enfrentar situações semelhantes à crise asiática’’, afirmou ao divulgar o relatório anual sobre o desenvolvimento do mercado global de capitais (Global Development Finance, 1998).
Nankani lembrou, no entanto, que a política cambial deve ser manejada em conjunto com as políticas monetárias e fiscal. Segundo ele, o mais importante neste mix é a continuidade do ajuste fiscal, a manutenção do atual ritmo das reformas estruturais e o aumento do crescimento econômico estável. ‘‘O Brasil está bem posicionado para seguir com o ajuste fiscal a médio prazo, ao mesmo tempo que o aprofundamento das reformas estruturais tem condições de permitir a volta do crescimento com redução da pobreza’’, ressaltou o diretor.
Na avaliação do Bird, o Brasil continuará necessitando dos capitais externos, mas a instituição não considera que o fluxo desses recursos represente riscos. Embora o País tenha recebido no ano passado o segundo maior volume de investimentos estrangeiros diretos (US$ 17 bilhões), só perdendo para a China, Nankani não vê necessidade de novas restrições ao ingresso dos capitais externos. ‘‘O Brasil tem regras suficientes para receber um fluxo de capital elevado’’, enfatizou. Ele lembrou que a boa saúde do sistema financeiro privado afasta riscos eventuais.
Recorde A crise asiática afetou o fluxo recorde de capitais privados para os mercados emergentes que estava acontecendo no ano passado, ao mesmo tempo que a ajuda oficial externa aos países em desenvolvimento mais pobres continuou caindo, em decorrência da contração dos orçamentos das nações doadoras. Esta é a conclusão do relatório do Bird sobre o desenvolvimento do mercado global de capitais, divulgado ontem simultaneamente em Brasília, Londres, Washington e Hong Kong.
Em 1997 os fluxos privados líquidos a longo prazo cresceram pelo sétimo ano consecutivo, subindo a US$ 256 bilhões contra US$ 247 bilhões em 96. ‘‘Esses recursos, que já são seis vezes maiores do que os fluxos oficiais, significam mais dinheiro para investimento e crescimento, mas a queda do auxílio dos países doadores ameaça as nações mais pobres do mundo. Além de serem os mais necessitados, esses países estão menos aptos a atrair capital privado’’, diz o documento. As doações somaram US$ 37 bilhões em 1997, US$ 3 bilhões menos que no ano anterior.
O relatório prevê para este ano uma certa cautela dos investidores e incertezas quanto às perspectivas de recuperação no leste asiático. A possibilidade de novos efeitos de contágio deverá reduzir o movimento de capitais privados de longo prazo para os países em desenvolvimento.

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