Bird deve fazer novos empréstimos ao Brasil
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2005
Agência Brasil 
Brasília O Banco Mundial (Bird) deve destinar ao Brasil este ano US$ 2 bilhões em novos empréstimos, segundo informou a vice-presidente da instituição para América Latina e Caribe, Pamela Cox. Nos últimos dois anos, o Brasil pagou mais por empréstimos feitos no passado e que estão vencendo do que recebeu do Bird.
Dados do banco revelam que, em 2004, por exemplo, o Brasil recebeu US$ 1,446 bilhão, mas pagou US$ 1,563 bilhão de dívidas que venciam. Pamela informou que as fórmulas para melhorar o fluxo de entrada e saída de dinheiro foram assunto da conversa que teve ontem com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
''Estamos negociando com o governo brasileiro mecanismos para tornar mais eficientes os desembolsos do banco no país e melhorar o fluxo de recursos'', revelou. As propostas estarão em estudo nos próximos três meses.
Uma fórmula é utilizar os recursos de curto prazo em projetos que já estejam sendo desenvolvidos no País. O diretor do Bird para o Brasil, Vinod Thomas, disse que, por ter que manter o ajuste fiscal, o País não tem condições de assumir novos projetos, porque não tem como arcar com a contrapartida sempre imposta nos programas.
Entre os programas a serem desenvolvidos este ano está o Bolsa-Família, que receberá do Bird US$ 572 milhões. O banco já aprovou o desembolso, que precisa passar ainda pela aprovação do Congresso. Também devem receber recursos do banco projetos na área de água e saneamento e meio ambiente. Atualmente o Bird financia 50 projetos no Brasil, envolvendo US$ 6,2 bilhões em investimentos diretos (destinados a financiar a atividade produtiva).
Argentina - A vice-presidente do Banco Mundial (Bird) para a América Latina e Caribe afirmou ontem que o processo de negociação da dívida na Argentina não afetará o Brasil, já que as duas economias são bastante diversas. ''Estamos felizes que o governo argentino esteja tentando resolver o seu problema da dívida. Mas temos que lembrar que a economia brasileira e a argentina são bem diferentes. O Brasil é uma economia muito maior e mais diversificada. Está mais isolado dos problemas da Argentina'', comentou.
Pamela considerou um bom exemplo desse isolamento o fato de o Brasil ter conseguido crescer nos últimos dois anos sem que a Argentina negociasse com seus credores a dívida, suspensa desde 2001.
''Imagino que os problemas seriam maiores para a Argentina (caso o programa de negociação não seja bem-sucedido) do que para os outros países da região. Principalmente quando os outros países têm bom relacionamento com o mercado e políticas fiscais e macroeconômicas firmes. É isso que os credores querem ver'', disse.
Esta é a primeira visita oficial de Pamela Cox, desde que assumiu o cargo em 1º de janeiro. Ela chegou ao Brasil na segunda-feira e deixaria o País ontem à noite.


