Biotecnologia reduz uso de hormônios na pecuária
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de novembro de 2000
Liana John Agência Estado 
Um composto de oito espécies de bactérias, fungos, enzimas e leveduras, com cálcio, fósforo e alguns micronutrientes, desenvolvido por uma empresa biotecnológica de Jaboticabal, SP, está ajudando os pecuaristas a reduzir o uso de hormônios e medicamentos na criação de gado leiteiro. O composto - do tipo poliprobiótico - interfere na digestão dos ruminantes, melhorando o aproveitamento dos alimentos e eliminando microorganismos patogênicos.
A eliminação dos patógenos (ou agentes causadores de doenças) se dá ainda no estômago das vacas e bezerros, através de dois mecanismos: por competição (os microorganismos do composto ocupam o lugar dos patógenos) ou por meio químico (algumas das bactérias do composto produzem peróxido de hidrogênio ou água oxigenada, fatal para os patógenos). Além de reduzir a incidência de diarréias, acidose e outros problemas gástricos do gado, o composto reduz sensivelmente o mau cheiro das fezes e, consequentemente, diminui a quantidade de moscas que infestam os currais. E como uma das infecções mais comuns nas vacas leiteiras - a mastite - tem nas moscas seu principal vetor, o uso do poliprobiótico também reduz a incidência desta doença.
A mudança na condição de saúde do gado já levou alguns produtores de leite, como Maurício Vital, da Fazenda Germânia, de Monte Alto, SP, a eliminar o uso de hormônios na fase de secagem do leite e reduzir sensivelmente os antibióticos utilizados no combate à mastite.
O composto, em pasta ou em pó, é ministrado a bezerros recém-nascidos à razão de 3,33 gramas por dia, chegando até a dose de 10 gramas por animal/dia no caso de vacas submetidas a condições de estresse, ou seja, no pós-parto, desmame, em caso de viagem, vacinação ou mudanças bruscas de temperatura e ambiente, explica Laudemar de Amorim, da L. Amorim, empresa que produz o composto. E-mail:[email protected])


