Biossegurança - Paraná mantém ações contra transgênicos
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Enquanto produtores agrícolas comemoram a aprovação da Lei de Biossegurança pela Câmara Federal, na noite da última quarta-feira, o governo do Paraná afirma que a decisão não irá alterar a política da atual gestão, que é contrária ao plantio de transgênicos no Estado. Afirma, também, que as ações da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento para evitar que a soja transgênica chegue ao Porto de Paranaguá serão mantidas.
''Não muda a política do Paraná em torno da soja pura, de ter um produto diferenciado, não só pelo princípio da precaução em relação ao meio ambiente e à saúde das pessoas, mas por questões de mercado'', destacou o diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da secretaria, Felisberto Queiroz Baptista.
Segundo Baptista, o trabalho da secretaria continua o mesmo, tanto na fiscalização do trânsito interno de caminhões procedentes de outros estados, quanto na movimentação de cargas. ''Estaremos desenvolvendo nossas atividades exatamente em cumprimento à própria legislação federal, que determina a obrigatoriedade da segregação e identificação dos transgênicos, em trânsito ou estocados'', explicou.
Para o diretor, a única coisa que muda, na prática, é que os agricultores não precisarão mais assinar o termo de compromisso para poderem fazer o plantio da soja transgênica, mas continuarão responsáveis por eventuais danos ao meio ambiente ou a terceiros. O governo do Estado não irá proibir, reconheceu Baptista, mas continuará estimulando o cultivo convencional.
O assessor da presidência da Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que para os produtores a importância da Lei de Biossegurança vai além da permissão para o plantio da soja transgênica. ''Vai permitir o desenvolvimento tecnológico da agricultura paranaense à medida que abre a possibilidade de pesquisas com outras culturas'', comemorou.
Cerca de 2,3 mil produtores paranaenses haviam assinado o termo para plantar soja transgênica na safra atual. Para Albuquerque, a vantagem é que, com a nova legislação, os agricultores poderão usar, já para a próxima safra, sementes adaptadas às condições climáticas e de solo do Paraná.
O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, informou, por meio da assessoria de imprensa, que o terminal não tem estrutura para receber a soja transgênica, já que o governo federal exige a segregação.


