Biometano pode ser a chave para descarbonização da indústria

O 'combustível do futuro' surge como protagonista no processo de transição energética

Publicado sábado, 16 de agosto de 2025 | Autor: Simoni Saris às 08:00 h

Em um cenário de urgência climática e busca por sustentabilidade, a transição energética se tornou um imperativo para o setor industrial. Como um dos maiores consumidores de energia e motor de inovação, a indústria tem um papel crucial na descarbonização da economia. E para empresas que buscam não apenas ganhos ambientais, mas também competitividade a longo prazo, o biometano se apresenta como um protagonista.

O biometano é apontado como o "combustível do futuro". E o Brasil está em uma situação bastante favorável. O país é farto em resíduos, dispõe de tecnologia e em relação ao consumo, tem um grande potencial em razão do alto contingente populacional.

O BEN (Balanço Energético Nacional) 2025, elaborado pela EPE (Empresa Brasileira de Pesquisa Energética), revelou que a matriz energética brasileira atingiu os 50% de renovabilidade no ano passado. E a indústria, o segundo setor que mais consome energia no país, com um percentual de 31,7%, teve importante participação nesse resultado. De 2023 para 2024, o consumo de energia na indústria cresceu 1,4% e o índice de renovabilidade no uso do insumo foi de 64,4%.

Apesar da predominância da eletricidade na estrutura de produção e de consumo de energia na indústria, o uso do biometano cresce gradualmente. O mercado desse combustível avançou em torno de 20% ao ano nos últimos cinco anos. “Temos uma quantidade de resíduos muito grande para transformar em combustível competitivo para deslocar os combustíveis fósseis”, destacou o gerente de Inteligência de Mercado da CIBiogás, Nicolas Berhorst. A instituição de ciência, tecnologia e inovação atua no desenvolvimento do biogás para promover o mercado de energias renováveis.

O biometano é um biocombustível gasoso produzido a partir do tratamento e purificação do biogás, que por sua vez é gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. A matéria-prima pode vir de diversas fontes, como efluentes industriais, resíduos da produção de alimentos, dejetos de animais em propriedades rurais ou aterros sanitários.

Dados do Panorama do Biogás 2024, publicado pela CIBiogás, mostram que até o ano passado havia 79 plantas cadastradas no país para purificação de biometano, sendo 54 unidades operacionais e 25 em implantação. Em 2024, o acumulado da capacidade instalada foi de 656,3 mil Nm3/dia e a expectativa é triplicar a oferta de biometano no Brasil até o final de 2026, ultrapassando os 1,9 milhão Nm3/dia.

O Panorama do Biometano da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) contabiliza apenas uma planta de produção de biometano em atividade no Paraná. Ela fica em Tamboara (Noroeste) e o volume produzido é de 31,2 mil Nm3/dia. Há ainda outros cinco processos de autorização, incluindo a ampliação da planta já em funcionamento no Noroeste. Se todos os projetos saírem do papel, a produção no Estado irá crescer quase seis vezes e chegar perto de 180 mil Nm3/dia.

Bons exemplos

No Paraná, há iniciativas bem-sucedidas de empresas que com a descarbonização dos seus processos adotaram o biometano como fonte de energia limpa e viram surgir novas oportunidades de negócios.

A Aesa, fabricante de peças para caminhões de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), iniciou a transição energética em 2018 como uma medida para reduzir custos. Ao migrar para o mercado livre de energia, a empresa obteve maior eficiência. No entanto, o verdadeiro salto veio com a busca por sustentabilidade.

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| Foto: Sérgio Ranalli

Incentivado por uma grande fabricante de caminhões a investir em fontes mais limpas de energia, o diretor de Inovação da Aesa, Fábio Bearzi, decidiu ampliar o uso da eletricidade no processo de descarbonização da sua produção, em substituição ao GLP, gás de origem fóssil.

A eletricidade passou a ser a principal fonte de energia em diversas etapas da produção e uma inovação foi a criação de um forno híbrido, com a instalação de resistência elétrica no forno a gás.

O impacto da mudança na qualidade do produto final foi significativo e os resultados surpreenderam. Um dos requisitos técnicos para as molas de caminhão é que elas resistam a um teste de cem mil ciclos. Após as mudanças promovidas no seu parque fabril, a Aesa viu suas molas ultrapassarem um milhão de ciclos. “A gente conseguiu acertar o processo e o produto acabou ficando muito bom”, disse Bearzi.

Com os avanços obtidos a partir da troca do GLP pela eletricidade, o diretor de Inovação passou a buscar outras alternativas até chegar ao biometano. Essa nova fase começou em 2021, a partir de uma parceria com uma empresa londrinense, gestora da planta de refinamento de biogás em Tamboara.

O biometano chega a Cambé em cilindros, por via rodoviária. Em quatro anos, o consumo desse combustível na Aesa já superou o de GLP e o uso de fontes renováveis saltou de 18,3% em 2021 para quase 50% em maio de 2025.

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| Foto: Sérgio Ranalli

A meta da empresa é reduzir as emissões de GEEs (gases de efeito estufa) em 45% até 2027, mesmo com a expectativa de aumento da produção.

O investimento na transição, embora alto, trouxe um retorno estratégico. A fábrica, que já tinha contratos de fornecimento de peças para algumas das maiores indústrias de caminhões do país, recentemente fechou mais um importante acordo comercial para fabricação de molas verdes para atender a mais uma grande montadora.

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| Foto: Sérgio Ranalli

A mola verde é o resultado da junção do aço 100% reciclado e certificado desenvolvido por uma indústria siderúrgica com o processo de produção descarbonizada da Aesa. “A gente está fazendo um monte de coisa que vai reduzir muito a emissão de CO2. Quem está sustentável vai ter mais vida”, projeta o diretor, que avalia a possibilidade de, em breve, abolir totalmente o uso de GLP.

Competitividade

Hoje, Bearzi está certo de que investir na transição de energia foi um fator decisivo para colocar a empresa em um outro nível de competitividade, concorrendo com as maiores do setor.

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| Foto: Sérgio Ranalli

A experiência da empresa cambeense comprova o que especialistas como Flávio Ribeiro, embaixador do Movimento Circular, defendem: modernizar a indústria com a transição energética não é um gasto, mas um investimento. “As empresas têm que olhar para o que está vindo e o novo mundo exige empresas mais eficientes, inclusive do ponto de vista da energia e de emissões”, afirmou. O Movi­mento Cir­cu­lar é um ecos­sis­tema cola­bo­ra­tivo que atua desde 2020 no incen­tivo à tran­si­ção da eco­no­mia linear para a cir­cu­lar.

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default | Foto: Sérgio Ranalli

Progredir para um mundo mais limpo do ponto de vista energético e para uma indústria mais competitiva, frisou Ribeiro, é um caminho inevitável. “Não avaliar as possibilidades é fechar os olhos para uma oportunidade que se tem, inclusive, de melhoria da produtividade, de redução de custos. Muitas empresas podem decidir não fazer, mas não podem ignorar a necessidade de fazer essa avaliação."

Principal gargalo é no setor de transportes, diz Fiep

O setor industrial paranaense, assim como a indústria brasileira de modo geral, tem uma matriz energética considerada limpa. O grande gargalo reside no setor de transportes, afirmou o coordenador do Conselho Temático de Energia da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Rui Londero Benetti.

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| Foto: Divulgação

Em 2024, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 431,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2 eq), sendo a metade - 214,3 Mt CO2 eq - gerada no setor de transportes, segundo o BEN (Balanço Energético Nacional) 2025.

O setor de transportes é o maior consumidor de energia do país, com 33,2%, segundo o BEN 2025. De 2023 para 2024, esse consumo cresceu 2,7%. O óleo diesel, combustível não renovável, ainda responde pela maior parcela, com 42,5%.

Os indicadores demonstram a dimensão do obstáculo que o setor produtivo brasileiro tem para transpor se quiser acelerar o processo de descarbonização da economia a um patamar estratégico.

Pela forte dependência do setor de transportes - desde a aquisição de matérias-primas até a distribuição dos produtos acabados - a indústria tem papel relevante na proposição de soluções para esse entrave.

A saída, afirmou Benetti, pode estar no biometano. A Fiep atua no incentivo à adoção desse gás como combustível para as frotas paranaenses, mas reconhece as dificuldades de estruturação de toda a cadeia. “Envolve os fornecedores, os produtores, regras, legislação, para que todos tenham segurança para trabalhar com esse modal.”

Um ponto a favor do Paraná nessa trajetória rumo a um sistema de transporte mais sustentável é o agronegócio, um dos setores mais fortes da economia do Estado. Os resíduos da produção agrícola e animal constituem matéria-prima abundante para a geração de biometano.

“Temos que mudar a nossa frota em dez, 15 anos. Hoje, se fala muito em hidrogênio, mas a parte da tecnologia está atrasada. O que está na mão mesmo e que pode começar já é o biometano”, destacou Benetti. “Temos uma biomassa muito grande, equivalente a algumas Itaipus no campo. Não é fácil fazer porque é uma estrutura grande, mas alguém tem que dar o primeiro passo, provando que a coisa funciona.”

É o que tem feito a Primato Cooperativa Agroindustrial, em Ouro Verde do Oeste, que há dois anos passou a utilizar os resíduos da produção animal para fabricação de biometano para abastecer a própria frota de caminhões.

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| Foto: Divulgação

O gerente de Logística Integrada da Primato, Daniel Girardello, contou que essa foi a forma encontrada para solucionar a questão do passivo ambiental gerado pelos dejetos da suinocultura, atividade econômica de grande força naquela região.

A cooperativa construiu uma usina de biogás que transforma os dejetos das granjas de 17 pequenos produtores de suínos em biometano. A coleta dos resíduos é feita pelos caminhões da empresa, adaptados para funcionarem com o combustível renovável por meio de uma parceria com uma fabricante de motores. No momento, há quatrocaminhões movidos a biometano, mas até o final deste ano, serão 11.

Além da coleta e transporte dos resíduos das granjas, os caminhões também fazem a distribuição do adubo organomineral proveniente da mesma usina de biogás e da ração.

Todos os meses, são recolhidos em torno de 3,8 mil toneladas de resíduos da suinocultura que rendem cerca de 900 Nm3/dia de biometano.

“Os produtores não podiam ampliar a produção de suínos por falta de espaço, ocupado com os dejetos. A rentabilidade do produtor agora é muito maior e a cooperativa economiza 40% em relação ao óleo diesel", comentou Girardello. A iniciativa, além de econômica, também é sustentável. Com a destinação dos resíduos, a instalação da bioplanta, o refinamento do biogás e os caminhões movidos a biometano que distribuem a ração e o adubo gerado na usina, o ciclo da economia circular se completa. “A gente espera que o Oeste do Paraná passe a ser um polo de biometano.”

Por meio do Renova PR, governo do Estado quer ampliar produção de biometano

O programa Renova PR (Paraná Energias Renováveis) acaba de completar quatro anos de existência com o saldo de mais de 38 mil novas ligações em geração distribuída e R$ 5,8 bilhões de investimentos, sendo R$ 1,6 bilhão e dez mil projetos apoiados diretamente pelo governo do Estado.

O programa atua por meio do Banco do Agricultor Paranaense na oferta de subvenção de juros para geração de energia renovável no campo e abrange desde os agricultores familiares, que podem ter tarifa zero, até os grandes, com abatimentos proporcionais. O Renova PR atende pessoas físicas e jurídicas.

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| Foto: Divulgação

O governo paranaense calcula entre 85% e 95% a economia na conta de luz dos produtores rurais com o incentivo do Renova PR para geração própria de energia.

Com o dinheiro obtido por meio do programa, a maioria dos produtores investe na instalação de placas de energia fotovoltaica, mas também começam a crescer as aplicações dos recursos em sistemas de biodigestão nas propriedades rurais. "O biogás tem duas aplicações. Uma para substituir lenha e gerar energia térmica e outra um pouco mais sofisticada, que é movimentar geradores e gerar energia elétrica, substituindo o diesel", disse o coordenador do Renova PR, Herlon Goelzer de Almeida. "Mas a terceira aplicação, a que mais perseguimos para a transição energética no Paraná, é a produção de biogás e biometano."

O objetivo do programa governamental é ampliar o uso do biometano nas indústrias, como combustível, e também como alternativa ao óleo diesel em veículos. "Existe um potencial energético no agro, baseado na capacidade geradora do setor produtivo. Começa pela cana-de-açúcar e depois, proteína animal e agroindústria", ressaltou o coordenador.

Em quatro anos, o Renova PR apoiou a instalação de 280 biodigestores no Estado."É um processo lento, mas que tende a se acentuar pelas políticas de descarbonização e pelo fato de que mudou a inserção do biometano na economia. Pós-pandemia, o diesel elevou muito o valor, quase equivalente ao preço da gasolina, e com isso tornou muito competitivo o GNV e o seu equivalente, o biometano", destacou Almeida.(S.S.)

Gasoduto da Compagas começa a operar em outubro em Londrina

Há uma expectativa dos empresários da região de Londrina em relação ao início do fornecimento de biometano pelo ramal da Compagas instalado no município. A concessionária prevê o início da operação da rede de gás canalizado e biometano em Londrina a partir do próximo mês de outubro, com atendimento ao mercado industrial. Até 2029, deverão ser construídos 70 quilômetros de dutos na região de Londrina e outros 19 quilômetros em Maringá. Na expansão da rede, a companhia planeja investir R$ 100 milhões no Norte e Noroeste do Paraná.

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| Foto: Divulgação

A empresa ressaltou que os investimentos estão alinhados à sua estratégia de sustentabilidade, cujo objetivo é transformar a matriz de suprimento com o uso ampliado do gás natural e com a inserção do biometano. A Compagas reforça que a rede de distribuição iniciará sua operação em outubro já com fornecimento de biometano destinado ao mercado industrial. Nesta primeira fase, duas indústrias da região serão atendidas, com contratos já firmados. O objetivo é expandir o fornecimento para outros consumidores industriais.

Uma das iniciativas em sustentabilidade é o Projeto Corredores Rodoviários Sustentáveis do Paraná, que projeta o uso do biometano como combustível complementar ao uso de gás natural na movimentação da frota rodoviária diretamente ligada ao campo.

O biometano será produzido a partir do aproveitamento dos resíduos da atividade agroindustrial. O projeto abrange 4.586 quilômetros de estradas, cruzando 147 municípios, inicialmente. A rota Maringá-Paranaguá está prevista para começar a operar ainda neste ano e a Compagas entra como facilitadora nesse processo.(S.S.)

Legislação deve alavancar produção de biometano no país

O modelo de negócio de venda de biometano por produtores que têm excedente do combustível é regulado pela ANP desde 2015. Mas o grande avanço no âmbito da normatização deve se dar com a publicação do decreto do MME (Ministério das Minas e Energia) que irá regulamentar o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano. A expectativa é que o documento seja publicado nos próximos dias.

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| Foto: Animaflora/Getty Images

O programa nacional está inserido na lei federal 14.993/2024, chamada de Lei do Combustível do Futuro, e tem como objetivo principal incentivar a produção e o uso do biometano no Brasil. Entre outros pontos, o decreto deverá implementar o início do mandato de descarbonização para o setor de gás natural para 2026, tratar da emissão do Certificado de Garantia de Origem do Biometano, que comprova a redução das emissões, buscar a integração com outras políticas públicas, em especial de estados, Distrito Federal e municípios, além de prever financiamento prioritário para projetos ligados à Política Nacional de Resíduos Sólidos. A ANP será responsável pela fiscalização e aplicação de penalidades.

Ao estabelecer diretrizes para que o Brasil seja uma referência na produção de biocombustíveis, a Lei do Combustível do Futuro deverá funcionar como incentivo para a construção de plantas de refinamento de biogás.

Dentre as diretrizes, a lei federal determina que a partir de 1º de janeiro de 2026, o setor de gás natural deverá adicionar 1% de biometano ao gás produzido ou importado. Percentual que irá aumentar de forma gradativa até atingir 10%.

Produtores e importadores de gás natural liquefeito precisarão comprar biometano. A Petrobras, a maior empresa brasileira do setor, já começou a fazer leilões para a aquisição desse combustível.

"Para um combustível que está em uma transição sociotécnica para competir no mercado de energia, essa é uma política pública que ajuda o mercado a crescer e ganha fôlego", avaliou o gerente de Inteligência de Mercado da CIBiogás, Nicolas Berhorst.

A expectativa é que as empresas consumam o biometano, comprando o combustível no papel e no gasoduto, e consigam abater no inventário de emissões, assim como já acontece com a energia elétrica.

"E na parte da competitividade, na hora em que o pessoal parar de olhar o resíduo e não ver como lixo, mas como ativo que pode ser transformado em energia, vai mudar. É uma questão de percepção", afirmou Berhorst. "Todas essas plantas de biogás (instaladas no país) não tiveram subsídio. É um mercado que só funciona pelo argumento econômico."(S.S.)

Transição energética aumenta demanda por qualificação profissional

Para que as indústrias aproveitem todo o potencial que as fontes de energia mais limpas e baratas oferecem é fundamental investir em profissionais qualificados. São eles que vão projetar, construir e operar as novas plantas, desenvolver as tecnologias e gerir os processos e fluxos de produção.

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| Foto: Sérgio Ranalli

Um futuro energético mais sustentável começa com a capacitação e adaptação do capital humano às práticas alinhadas com a questão ambiental e de governança.

Desde 2019, a UFPR (Universidade Federal do Paraná) mantém o curso de especialização em eficiência energética e geração distribuída.

A cada dois anos é aberta uma nova turma e a procura só aumenta. O curso é voltado a profissionais graduados em algumas áreas específicas, como engenharia, física e economia, e tem o objetivo de suprir uma carência do setor industrial.

“Quando decide substituir um motor por outro mais eficiente, a indústria precisa de alguém que seja especialista, que vá lá e faça o cálculo dos ganhos com a transição”, disse o coordenador do curso de especialização da UFPR e doutor em engenharia elétrica, Rogers Demonti.

A capacitação técnica, que alia a teoria à prática, contribui para que a empresa obtenha o máximo de lucro possível com o uso da energia, gastando menos na produção.

Demonti destacou que o curso é uma resposta à demanda por transição energética e hoje há uma valorização desse profissional no mercado. “Muitos alunos buscam o curso para ter um ganho a mais no salário e outros têm seu próprio negócio e querem expandir a oferta de produtos e serviços.”(S.S.)

Atualização (18/8)

A reportagem foi corrigida para informar que o gasoduto da Compagas entrará em operação em outubro já com fornecimento de biometano, inicialmente, para duas indústrias da região de Londrina

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Simoni Saris

Simoni Saris

Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.

Repórter nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio, com foco nos impactos das mudanças econômicas no cotidiano dos paranaenses.