Biomassa vai virar energia elétrica no PR
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Copel assinou ontem os primeiros contratos no setor elétrico brasileiro para aquisição de energia elétrica produzida a partir da biodigestão de resíduos orgânicos. São seis contratos que totalizam potência de até 524 kW (quilowatts), energia suficiente ao atendimento de uma centena de moradias de padrão médio, que será fornecida por 4 produtores: Sanepar, Cooperativa Lar, Granja Colombari e Star Milk. Os contratos têm vigência até o final do ano de 2012. A Granja Colombari já está fornecendo energia desde o início de janeiro e até a metade do ano, começa o fornecimento dos outros produtores.
O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, acredita que o pioneirismo da empresa deverá estimular outros produtores rurais a fazerem o mesmo, já que faltava a eles um mecanismo que lhes permitisse negociar seus eventuais excedentes de geração. ''O uso de biodigestores não é, a rigor, uma prática nova, mas ter a garantia de que alguém comprará os excedentes da eletricidade que gerar pode motivar a adesão de outros produtores rurais'', raciocina Ghilardi.
Foram selecionados e contratados em decorrência da chamada pública feita no início do ano pela Copel os seguintes produtores de energia elétrica: Sanepar (potência de 20 kW na usina termelétrica associada à estação de tratamento Ouro Verde, em Foz do Iguaçu), Granja Colombari (potência de 32 kW em São Miguel do Iguaçu), Star Milk (potência de 32 kW na Fazenda Iguaçu, em Céu Azul) e a Cooperativa Lar - esta, com contratos a partir de três plantas industriais: de aves em Matelândia (160 kW), de suínos em Itaipulândia (240 kW) e de vegetais em Foz do Iguaçu (40 kW).
Os ensaios e experiências tiveram início em 2007 com o propósito de estudar a viabilidade técnica e econômica de implantação de biodigestores em propriedades rurais dedicadas à suinocultura para, com o gás metano produzido pela decomposição da matéria orgânica coletada, gerar eletricidade para consumo na própria instalação e, até, para venda de excedentes à distribuidora local dos serviços.
O principal problema ambiental decorrente da criação de suínos é que seus dejetos são muito ricos em fósforo, que vem a ser justamente o principal nutriente das chamadas ''algas azuis'', um tipo de floração que contamina e deteriora a água e que pode, se ingerida ou mesmo pelo contato, causar sérios problemas à saúde de pessoas e de animais.
Para diminuir ou até eliminar esse problema, a alternativa mais lógica é evitar que tais resíduos cheguem aos cursos d'água. E isso pode ser feito de forma eficiente e produtiva mantendo esse material orgânico enclausurado, confinado em câmaras de biodigestão, onde ele se decompõe produzindo metano. Esse gás, altamente combustível, pode ser usado para aquecer água, produzir vapor e movimentar um gerador de eletricidade.


