Os idealizadores de ''Raízes da Fertilidade'' (Calandra Editorial, 2005), segundo livro do jornalista e ''historiador diletante'' João Castanho Dias, 62, lançado semana passada em São Paulo, contam que ele surgiu da necessidade de preservar a memória dos fertilizantes no Brasil. Encomendado por sindicatos do setor, o livro acabou indo além: em suas 132 páginas, Dias remonta à era neolítica, lembra as descobertas que revolucionaram a agricultura ao longo dos milênios, traz o mapa da fertilidade no mundo e cita até versos de Olavo Bilac.
O material vem fartamente ilustrado com fotografias, reproduções de obras famosas, antigos anúncios publicitários e 117 logotipos das empresas associadas aos sindicatos do segmento - alguns produzidos de última hora para não ficar fora do livro, chamado de ''biografia oficial e autorizada dos fertilizantes'' em seu prefácio. ''Eu parti do zero. Tive que fazer a pesquisa bibliográfica e iconográfica, devo ter folheado umas 50 mil páginas. Mas se a gente demorasse mais um pouco, essa história ia se perder'', diz o autor, mencionando que cerca de 20 grandes empresários do setor já faleceram.
Do baú da propaganda dos fertilizantes, Dias tirou peças curiosas como o anúncio que traz o testemunho de um agricultor de Guariba (SP), em 1955. O proprietário rural era ninguém menos que o pai do atual ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Já o mapa das ''melhores terras do mundo'', seguindo classificações internacionais, revela que o Brasil não é um país naturalmente tão fértil quanto seus resultados agrícolas fazem parecer. O país aparece bem atrás da ''campeã de fertilidade'' Rússia, que tem 23% de sua área incluída entre os melhores solos do planeta. (V.N.)

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