Biogás no alvo da indústria de motores
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quarta-feira, 06 de agosto de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na linha do desenvolvimento sustentável, a empresa Branco de Força e Energia, do setor de motores e geradores, localizada em São José dos Pinhais (RMC), lança até o fim do ano, geradores de energia movidos pela tecnologia Bioflex - biogás e álcool -, com reduzidos níveis de emissão de poluentes e custos mais baixos. A novidade complementa a lista de itens adaptados ao funcionamento com biogás já à venda no mercado nacional (geradores, motores estacionários e motobombas). A empresa distribui 32 mil motores por ano, entre artigos que funcionam à gasolina, biogás e biodiesel.
''A expectativa é atender a uma demanda crescente de produtores que atuam com sustentabilidade e procuram equipamentos com esta consciência e gerem economia'', comenta o supervisor da Branco, Marcelo Utrabo. A expectativa é faturar 20% acima do ano passado, cerca de R$ 80 milhões - sendo 5% a fatia dos itens para energia renovável. A estratégia de venda está focada na suinocultura, avicultura, pecuária leiteira, aterros sanitários e estação de tratamento de água. ''Há leis no País que exigem uma destinação correta para dejetos de animais, que é matéria-prima para biogás. A reciclagem deste produto é a melhor saída'', completa Utrabo
A Branco não comentou quanto devem custar os novos geradores, mas a atual linha exclusiva para biogás oferece um gerador de 4 mil quilowatts a R$ 4 mil. O custo é 20% a mais dos equipamentos convencionais, mas segundo o fabricante, dependendo do volume de gás utilizado, a conta de energia elétrica pode cair consideravelmente. ''Vamos vimos um produtor do Oeste reduzir em 50% os gastos'', afirma Utrabo.
De acordo com a Branco, uma granja com 600 suínos pode produzir diariamente 180 m3 de biogás. O combustível é o suficiente para manter dois geradores de 4 mil quilowatts ligados por 24 horas. Cada gerador gasta 2m3 por hora para ficar ligado. De acordo com a resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a tarifa pura (livre de impostos e tributos) de 1 kw convencional rural na Companhia Elétrica Paranaense (Copel) custa R$ 0,15. a economia nesta granja será de R$ 1200. Em um ano, R$ 14,4 mil, recurso o suficiente para investir em dois novos biodigestores.
O biogás é produzido a partir de orgânicos, como dejetos de animais ou lixo, decompostos em 30 dias. O material fica armazenado em biodigestores, assim como o gás conforme vai sendo produzido. O equipamento custa em média R$ 6 mil. A receita é 1 quilo de matéria para 1 litro de água. A iniciativa combate o impacto ambiental. Entre as vantagens, destacam-se a ausência de contaminação dos lençóis freáticos, preservação da camada de ozônio (devido ao lançamento de gás metano na atmosfera quando o dejeto não passa por tratamento adequado, a exemplo do bagaço da cana-de-açúcar), geração de chorume (para adubo orgânico) e ganho extra de créditos de carbono. O chorume é guardado em uma piscina ao lado do biodigestor.


