Biodiesel é destaque em evento de girassol
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de outubro de 2005
Reportagem Local 
A criação de um selo combustível social, concedido aos produtores de biodiesel que adquirirem matéria-prima de agricultores familiares e a garantia de compra de todo biodiesel que possuir o selo social são incentivos do Programa Nacional de Biodiesel, afirmou o representante do Ministério de Ciência e Tecnologia, Breno Souza França, no painel de abertura da XVI Reunião Nacional de Pesquisa de Girassol (RNPG), que começou ontem, no Crystal Palace Hotel, em Londrina. Paralelamente ao evento, será realizado o IV Simpósio Nacional sobre a Cultura do Girassol, que pretende apresentar a cultura como ferramenta de inclusão social na pequena propriedade. Os eventos reúnem cerca de 200 participantes de diferentes segmentos, da cadeia produtiva do girassol.
Segundo França, o governo, por intermédio da lei nº 11.097, promulgada em janeiro de 2005, determina a adição de 2% de biodiesel no diesel comercializado até 2008, o que representará demanda de 800 milhões de litros de biodiesel. ''Ate 2013, nossa meta é avançar para uma adição de 5%, ou seja, 2 bilhões de litros'', diz.
Para alavancar o Programa, França destacou alguns benefícios que serão concedidos aos produtores de biodiesel como, incentivos tributários federais (PIS, Pasep e Confins) e a criação de linhas de financiamento específicas, por intermédio do BNDES e do Banco do Brasil e também linhas de crédito do PRONAF.
No painel, foram abordados os diferentes processos de produção do biodiesel - combustível derivado de fontes renováveis como girassol, dendê, mamoma e soja. O biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores automotivos ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc), podendo ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções.
Durante o painel, mostrou-se os diferentes processos de produção do biodiesel tais como o craqueamento e a transesterificação. Na transesterificação os óleos vegetais ou gorduras animais são submetidos a reação química em que há inserção de álcool (etanol) ou o metanol. Este processo produz biodesel com viscosidade e eficiência similares a do diesel. Como resultado, é extraída a glicerina, produto com aplicações na indústria química.
Por outro lado, no craqueamento - ainda em processo de desenvolvimento pela Embrapa e Universidade de Brasília - o óleo vegetal é super aquecido até que se promova o fracionamento de suas partículas, que resultam no biodiesel. Nesse processo o produto sai pronto para ser utilizado pelos motores e não há sub-produtos como a glicerina, o que deve facilitar a utilização por pequenos e médios produtores.


