São Paulo - O Brasil continua buscando novos combustíveis alternativos capazes de substituir os derivados de petróleo. O governo e a iniciativa privada passaram a investir em pesquisas e projetos de biodiesel produzidos a partir da biomassa (qualquer matéria de origem vegetal usada como fonte de energia), sobretudo da soja, que atualmente é o único óleo que atende à demanda industrial com milhões de hectares plantados nas regiões Sul e Centro-Oeste do País. As informações são da Agência Brasil.
Um novo biodiesel produzido a partir do óleo de soja pode se tornar uma alternativa mais ecológica aos combustíveis utilizados na aviação comercial. O estudo publicado na revista ''New Scientist'' será discutido na reunião da Sociedade Química Americana, que acontecerá na próxima semana na Califórnia, nos Estados Unidos.
Atualmente, os aviões comerciais são abastecidos por um combustível derivado do petróleo chamado Jet A. Como todos os combustíveis fósseis, ele libera CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. Este gás é apontado como o maior responsável pelo chamado efeito estufa.
A queima do óleo de soja também libera CO2. Entretanto, por ter origem vegetal, o carbono foi incorporado recentemente e não representa um aumento dos níveis atuais na atmosfera. O problema para a obtenção de um biodiesel compatível para a aviação comercial é a exigência de que o combustível permaneça em estado líquido a baixas temperaturas. Pesquisas anteriores falharam porque os óleos vegetais geralmente congelam a 0ºC.
Entretanto, a equipe de pesquisadores liderados por Bernard Tao, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, conseguiu desenvolver uma mistura de biodiesel que congela a apenas 40ºC negativos. Além disso, a mistura contém 40% de óleo de soja e 60% de Jet A, a maior porcentagem de óleo vegetal já atingida.
A técnica de Tao consiste em submeter o combustível a baixas temperaturas e subtrair os sólidos cristalinos que se formam no decorrer do processo. O líquido resultante será um combustível com ponto de congelamento mais baixo.
O óleo de soja tem um custo de produção mais competitivo, mas esbarra em um componente social pouco atraente para um programa de caráter nacional: o alto índice de mecanização das lavouras limita a abertura de novos postos de trabalho. Por isso, em algumas regiões do País, principalmente no semi-árido nordestino, a mamona vem ganhando espaço e abrindo novas perspectivas de renda para milhares trabalhadores rurais, com a vantagem de permitir o plantio consorciado com outras lavouras como feijão, arroz e milho, por exemplo.

mockup