Biodiesel chega com atraso
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2008
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Obrigatória desde o dia 1º de janeiro, a adição de 2% de biodiesel ao diesel comum, chega com atraso na maioria dos postos de combustíveis de Londrina. Segundo proprietários ouvidos ontem pela FOLHA, o movimento de final de ano e a previsão de aumento de R$ 0,02/litro do combustível fizeram com que os estabelecimentos estocassem o produto.
O recebimento do diesel com adição de biodiesel deve ocorrer no início da próxima semana. A justificativa para o aumento é que o biodiesel (produzido a partir de oleaginosas) é mais caro que o diesel comum (de petróleo), entre 0,018% e 0,060%, dependendo da região produtora.
Um posto localizado na Avenida Celso Garcia Cid recebeu ontem o primeiro carregamento de diesel com a mistura obrigatória. Segundo um funcionário que não quis se identificar, o litro do diesel, que é comercializado a R$ 1,79, deve ser reajustado em R$ 0,02 assim que terminar o estoque do estabelecimento.
Nem todos os postos de Londrina haviam recebido informações sobre as alterações. O proprietário do Auto Posto Vista Bela, na Avenida Brasília, Vanderlei Vicente, obteve informações junto a distribuidora do aumento de R$ 0,02/litro do diesel com a adição de 2% de biodiesel. Segundo ele, a previsão é que, com o repasse, o litro do combustível se eleve dos atuais R$ 1,82 para R$ 1,84.
Na última compra paguei R$ 1,70 o litro. Devido à forte concorrência a margem de lucro do diesel é uma das mais apertadas, revela Vicente. O proprietário considera interessante ecologicamente a iniciativa, porém esta deve ser compatível com o poder aquisitivo da população.
Com gastos mensais de cerca de R$ 800,00 para abastecer três caminhonetas, o empresário Gustavo Tavares critica o aumento do litro do diesel por conta da adição do biodiesel. Ecologicamente a medida é louvável; porém, acho incorreto este reajuste. Se está entrando um percentual de combustível produzido a partir de oleaginosas no lugar do petróleo, a tendência era diminuir e não aumentar o valor do combustível, questiona.
O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais que deve atender à especificação estabelecida pela Resolução ANP nº 42/2004.
O B2 - nome da mistura de 98% de óleo diesel derivado do petróleo e 2% de biodiesel - deve atender às especificações técnicas exigidas pela Resolução ANP nº 15, de 19 de julho de 2006, e é obrigatório em todos os postos que revendem óleo diesel.
A previsão é que a soja seja a principal matéria-prima do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Os 35 mil postos revendedores do País estão sujeitos à fiscalização relativa ao cumprimento dessas normas. A adição de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo não exige alteração nos motores e os veículos que utilizem o B2 têm garantia de fábrica assegurada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A demanda compulsória do novo combustível em 2008 vai criar um mercado cativo de 800 milhões de litros. Em 2013, quando a mistura obrigatória passa a 5%, a demanda chegará a 2,4 bilhões de litros por ano.
Até o fechamento desta edição, a reportagem da FOLHA não conseguiu contato com o Sindicato dos Combustíveis em Londrina e com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese.


