O tema biocombustíveis sempre esteve cercado por polêmicas. A despeito das vantagens como a menor dependência de combustíveis derivados do petróleo, alguns defendem que a opção pela agroenergia será danosa à produção de alimentos, agravando o problema da fome no mundo.
Para o engenheiro químico Richard Fontana, é fácil refutar os argumentos de que os problemas serão maiores que os benefícios. ''O mundo produz hoje o dobro do que necessita para alimentar a população. Se a comida não chega a todos que habitam o planeta, é uma questão de regionalismo, desenvolvimento e distribuição de renda e riqueza'', diz.
O potencial de cultivo do Brasil é outro argumento de Fontana. Segundo ele, o País utiliza apenas 7,4% da área agricultável, ou 63 milhões de hectares, excluindo as pastagens. A cana-de-açúcar, uma das matérias-primas do etanol, ocupa 7 milhões de hectares, ou 0,8% do território.
As cerca de 60,5 milhões de toneladas de soja previstas para esta safra vão resultar em 11,2 milhões de toneladas de óleo vegetal. Porém, apenas 50% deste volume ficarão no País, o restante será exportado in natura ou em grão. ''Para produzir o B2 (como é chamado o mix de 98% de diesel com 2% de biodiesel), como determina a legislação, iríamos usar apenas 6,8% do total do óleo de soja produzido, se pensarmos apenas na soja como matéria-prima', diz.
O engenheiro químico defende uma firme tomada de posição do governo e dos organismos que lidam com a questão.''É hora do Brasil deslanchar e se tornar efetivamente líder mundial tanto na produção de alimentos quanto de biocombustíveis'', afirma. O êxito no setor, segundo ele, depende de planejamento, fiscalização, trabalho e expansão produtiva e industrial. (R.C.)

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