Washington- Entre as razões para a aceleração da inflação de alimentos está a pressão derivada do uso do milho e outros itens para a produção de biocombustível, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório ''Perspectiva Econômica Global'' (WEO, na sigla em inglês). ''Os países que miram o núcleo da inflação para suas decisões de política monetária precisam monitorar os preços de alimentos cuidadosamente e responder rapidamente se os movimentos nos preços estiverem ameaçando o alcance das metas de inflação'', adverte o documento.
Cálculos do Fundo indicam que, para o Hemisfério Ocidental, que compreende América Latina e Caribe, o impacto direto dos preços de alimentos no índice cheio de inflação aumentou de 25,6%, registrado no período de 2000 a 2006, para 37,2% nos quatro primeiros meses deste ano. No globo, a contribuição dos alimentos para a inflação aumentou de 26,6%, nos seis anos até 2006, para 36,4% nos quatro meses iniciais de 2007.
No caso particular do Brasil, o Fundo estima que a contribuição dos alimentos para a inflação é menor que 25% nos quatro primeiros meses de 2007. Diante da
forte demanda por biocombustível, o FMI estima que maior produção de etanol nos EUA deve representar 60% do aumento do consumo global de milho em 2007.
Para o Fundo, o aumento do uso de itens alimentícios como fonte de combustível é uma ''ocorrência que pode alterar substancialmente a estrutura da demanda'' por alimentos. Como os alimentos representam uma parcela significativa da exportação ou importação em vários países, preços mais altos podem ter impacto significativo sobre o resultado da balança comercial.
Segundo o FMI, a política de um determinado país para promover biocombustível ''coloca risco adicional para inflação ou crescimento''. Diante do risco de aquecimento excessivo e de avanço dos preços de alimentos em diversos países emergentes, ''maior aperto monetário pode ser exigido''.
O impacto sobre crescimento e inflação, estima o FMI, seria mitigado se os EUA e os países produtores de biocombustível da União Européia reduzissem as barreiras à importação do produto derivado de países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a produção é mais barata, mais eficiente e menos prejudicial ambientalmente. ''Uma mudança assim nas políticas forneceria oportunidade para outros países em desenvolvimento com vantagem comparativa potencial na produção de biocombustível para entrar na indústria''.
No geral, avalia o Fundo, a inflação tem ficado contida nas economias avançadas, mas tem subido em diversos países emergentes e em desenvolvimento, refletindo preços mais elevados de energia e alimentos. Além do uso de alimentos para produção de biocombustível, o FMI acrescenta que a aceleração dos custos dos alimentos também está ligada à condição do clima em alguns países.

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