O ano de 2008 chega com desafios e possibilidades para o setor de biocombustíveis. A obrigatoriedade da adição de 2% de biodiesel no diesel, debates sobre a conveniência da destinação de áreas para o plantio de matéria-prima e a concorrência com áreas para o cultivo de alimentos vão fazer parte das agendas de governos, indústrias, empresas do terceiro setor em todo o mundo.
Polêmicas à parte, a demanda pela produção de biocombustíveis é uma realidade. ''Este ano o Brasil tem que achar o caminho a trilhar no setor. O País tem todas as condições para conseguir êxito nessa área'', avalia Richard Fontana, engenheiro químico e bacharel em química, sócio de uma indústria de filtros de diesel e de fabricação de usinas de biocombustível em Londrina.
A participação dos combustíveis no custo de produção agrícola é, segundo Fontana, um forte argumento para justificar os investimentos na agroenergia. Ele lembra que há 25 anos o combustível representava 8% do total dos gastos da atividade; hoje este custo chega a 30%. ''Isso acaba inviabilizando o setor'', afirma Fontana.
A racionalização da atividade agrícola com o interesse na busca de alternativas mais baratas, aproveitamento de resíduos e diminuição das agressões ao ambiente colocam os óleos vegetais como um importante combustível de crescimento para o Brasil. Além disso, para atender a demanda da adição do biodiesel no diesel, serão necessários 880 milhões de metros cúbicos do produto.
O País tem dimensões continentais e características regionais que possibilitam o cultivo de inúmeras alternativas para biocombustíveis. ''Temos como opções o girassol, algodão, pinhão manso e crambe. Na região norte, pode-se plantar o dendê e no nordeste, a mamona'', diz o engenheiro químico.
A ampliação do leque de matérias-primas é fundamental, segundo Fontana, em função de algumas restrições da soja, uma das principais culturas usadas na produção de biodiesel. ''Por ser uma commodity, o grão da soja alcança valores que a inviabilizam como alternativa para esse setor', afirma Fontana.
Por ora, o biodiesel é aditivo no combustível, mas, como defende Richard Fontana, o produto é o único com condições de substituir completamente os combustíveis fósseis. ''Hoje o percentual de mistura é de 2%, mas existe uma programação de médio e longo prazo de que seja de 50%'', afirma. Para o técnico, a opção do hidrogênio citada por alguns, é inviável, em primeiro lugar pelas condições de produção e armazenamento do gás. Depois, porque um carro que utiliza o hidrogênio deve custar milhões. Fontana prevê que essa opção será viável dentro de 50 anos.
Com poucos investimentos o agricultor pode produzir na propriedade o combustível necessário para a sua atividade e ainda usar os resíduos. A demanda pelo biodiesel abre caminhos também para usinas, que se somariam às atuais 11, instaladas atualmente em todo o País. A empresa de Fontana fabrica unidades que estão sendo distribuídas em várias regiões do Brasil. Já estão negociadas usinas para os municípios de Cambira e Ivaiporã, no Paraná, e para Americana (SP) e Irecê (BA).

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