Bio Fill dá última cartada para permanecer no Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Folha de LondrinaDe malas prontasLuiz Fernando Farah, inventor da Bio Fill: Está faltando apoioA Bio Fill Produtos Biotecnológicos S.A, empresa paranaense que desenvolveu um curativo revolucinário para ser utilizado em casos de perda de pele, dá a última cartada para ficar no Estado. O inventor do produto e diretor presidente do Conselho de Administração da Bio Fill, Luiz Fernando Farah, tentaria ontem mostrar ao secretário do Planejamento, Rafael Greca, a necessidade de a empresa obter apoio do governo para ficar no Paraná. Caso não receba ajuda, a Bio Fill está de malas prontas para o Canadá ou até mesmo para o Rio Grande do Sul, que demonstrou interesse no projeto.
Farah viaja hoje para Porto Alegre, onde tem uma audiência agendada pelo vice-governador do Rio Grande do Sul, Vicente Bogo (PSDB). A reunião é com os secretários ligados ao setor de desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul. Ele foi convidado para apresentar a situação da empresa e mostrar o que ela necessita para se manter no Brasil.
Segundo o diretor presidente da Bio Fill, a empresa precisaria hoje de um investimento de R$ 5 milhões para se viabilizar no País. Ele se diz decepcionado ao ver o governo dando todo apoio a montadoras como a Renault e não priorizando uma iniciativa paranaense.
Revoltado com a falta de resposta que teve do governo aos pedidos de ajuda, o inventor do produto diz que cansou de bater de porta em porta nos gabinetes de secretários. A maratona de Farah começou depois que ele ouviu pessoalmente do governador Jaime Lerner que a Bio Fill era patrimônio do Estado. Por duas vezes, ele (Jaime Lerner) me olhou nos olhos e disse que o Paraná não poderia perder a Bio Fill, relembra o empresário. Pelo cálculo da empresa de consultoria norte-americana Frost and Sullivan, o mercado mundial de curativos gira R$ 4,5 bilhões por ano. Como a Bio Fill tem patentes em 20 maiores mercados do mundo - incluindo China, Estados Unidos, Japão e Europa - o produto traria um retorno financeiro de R$ 50 milhões, a partir do quarto ano.
Com pequena participação de 2% no mercado, a Bio Fill concorre diretamente com multinacionais, que também têm produtos destinados a ajudar na recomposição da pele. Mas pelos estudos clínicos comparativos feitos na Italia, China e Brasil, o Bio Fill é superior a diversas linhas. O curativo permite a recomposição da pele em tempo recorde, protegendo a área lesada de contaminação. Farah já foi premiado internacionalmente pelo produto.


