O fundador da Microsoft, Bill Gates, apareceu ontem nos principais programas matutinos da TV dos EUA, no dia seguinte da decisão histórica que anulou a divisão da empresa, e disse que está ‘‘aberto’’ a um acordo que dê fim ao processo antitruste.
Mas, horas depois das declarações de Gates, o porta-voz da Microsoft, Jim Cullinan, afirmou que a maior fabricante de programas para computador do mundo não aceitará nenhum acordo que envolva a reestruturação da companhia. ‘‘Não consideramos a reestruturação uma medida apropriada’’, disse.
O patrão de Cullinan foi menos incisivo. ‘‘Nós não achamos que uma arrastada batalha jurídica e os custos que ela envolve sejam bons para ninguém. Veremos se ‘um acordo’ é uma possibilidade real’’, disse Gates ao ‘‘Good Mornig America’’, da rede ABC.
Em uma entrevista à NBC, ele afirmou que fará o possível para chegar a um entendimento com o Departamento de Justiça.
Anteontem foi derrubada a decisão, feita há um ano pelo juiz federal Thomas Jackson, que determinava a divisão da Microsoft, como forma de reduzir o poder econômico da companhia.
Segundo Jackson, a empresa violou as leis antitruste do país ao tentar monopolizar o mercado de sistemas operacionais e de navegadores para a Internet. O juiz disse ainda que a venda em conjunto do Windows (sistema operacional) com o Explorer (programa de navegação) ia contra a livre concorrência e inibia inovações tecnológicas no setor.
Pela decisão da Corte Federal de Apelação, a divisão da Microsoft seria uma pena exagerada. Os juízes anularam o veredicto de Jackson e ordenaram um novo julgamento. Mas mantiveram a acusação de que a empresa tentou monopolizar o mercado.
Embora a Microsoft não se mostre nem um pouco inclinada a dividir suas operações, os promotores do caso não desistiram da idéia. Eles ainda defendem que a cisão seria o mais adequado para tornar a competição justa.

mockup