Bijuteria brasileira é produto exportação
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quarta-feira, 05 de maio de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na época dos descobrimentos, os europeus conquistavam a amizade dos habitantes do Novo Continente com miçangas e colares. Quinhentos anos depois, o fluxo se inverteu. O artesanato brasileiro, especialmente as bijuterias vêm conquistando o mercado europeu. Segundo dados dos Correios, um terço das 11,4 mil exportações do Brasil via postal no ano passado foram de artigos de joalheria como bijuterias e pedras semipreciosas.
A abundância de matéria-prima no País possibilita que os produtos manufaturados cheguem aos mercados compradores a preços competitivos, possibilitando boas margens de lucro. Somam-se a isso a experiência do País na produção de jóias semipreciosas e o amor dos europeus e norte-americanos às peças e pronto: a receita para bons negócios está dada.
Os produtores de pequeno porte ainda contam com uma vantagem: através do programa Exporta Fácil, dos Correios, lotes de bijuterias com valor até R$ 10 mil podem ser enviados aos compradores sem pagamento de impostos de exportação ou dependência do sistema aduaneiro brasileiro.
Segundo a consultora de mercado ao Serviço de Apoio a Pequena Empresa (Sebrae) do Paraná, Liliana Prestes, as dificuldades para a exportação têm sido o principal gargalo para os produtores de artesanato que pretendem exportar. ''Temos o caso de um produtor de luminárias que perdeu a chance de exportar um grande lote para a Itália devido a greve no Porto de Paranaguá. Agora, a Polícia Federal está em greve. Isso mina a credibilidade do Brasil, e atinge o produtor. Quem não consegue fechar um negócio na primeira tentativa, acaba desistindo'', comenta Liliana.
Como as bijuterias passam longe do porto, elas atraem produtores que não querem enfrentar a burocracia. É o caso de Katia Vieira, proprietária da Rekint, loja especializada na exportação de bijuterias e semijóias. ''Criamos a loja há cinco anos, e nem pensávamos em atender o mercado interno. Iniciamos as vendas através da internet, e tivemos uma ótima aceitação em países como Espanha, Itália, Holanda e também nos Estados Unidos'', comemora Katia. No ano passado, o faturamento da loja chegou a R$ 70 mil.


