Big Frango passa a produzir biodiesel
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A empresa Big Frango, instalada em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), já fabrica o seu próprio combustível. Através de um projeto pioneiro no Brasil, a empresa utiliza os resíduos da industrialização do frango na produção de biodiesel. Depois de cinco anos de pesquisas, a produção foi iniciada há cinco meses e é usada na frota da empresa (formada por 180 veículos, entre carros de passeio, tratores e caminhões). A usina instalada tem capacidade de produção de 160 mil litros por dia. O projeto consumiu investimentos de cerca de R$ 3 milhões e já traz economia de R$ 300 mil por mês apenas com o consumo menor de óleo diesel.
A produção de biodiesel foi iniciada com o objetivo de agregar valor ao óleo de frango (considerado um subproduto extraído das vísceras da ave) e causar menos poluição ao meio-ambiente. Já vínhamos pesquisando, mas os investimentos de fato começaram a ser feitos depois que algumas notícias foram veiculadas na mídia de um jipe que era movido a óleo de frango. Agora, perdemos a dependência do petróleo, comenta Evaldo Ulinski, presidente da Big Frango. A estimativa do empresário é que todos os investimentos sejam recuperados em dois anos.
Atualmente, os veículos rodam com uma mistura de 50% (metade de óleo diesel ou gasolina e metade de biodiesel). No entanto, os tratores não utilizam nenhuma mistura, somente o biodiesel. A estimativa é que até meados deste ano toda a frota esteja rodando com 100% de combustível renovável.
A usina para produção do combustível foi montada na fábrica de subprodutos (graxaria), que processa vísceras, penas, cabeça e pés das aves. As vísceras, por exemplo, transformadas em óleo eram utilizadas na composição de ração animal, uma vez que o óleo aumenta o valor energético e auxilia no metabolismo das aves e dos pequenos animais.
O preço de mercado deste óleo é de R$ 0,85 o quilo. Já o biodiesel tem valor de R$ 1,70 o litro, que é semelhante ao óleo diesel. Conseguimos aumentar a nossa receita em 100%, comenta Ulinski. O óleo animal extraído das vísceras das aves era aproveitado na própria ração consumida pelo plantel da empresa. Agora, esse produto está sendo substituído pelo sebo bovino ou pelo óleo de soja, conforme às variações de preço do mercado.
Capacidade - A capacidade total da usina não está sendo utilizada. A produção ocorre a medida em que o produto é consumido e há um excedente de 50%. No entanto, para operar totalmente - e, conseqüentemente, aumentar a receita - a empresa irá pedir certificação do produto à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para atuar também como distribuidora do combustível. A confirmação ainda depende de alguns ajustes na qualidade do biodiesel através da redução de resíduos sólidos. A intenção da empresa é participar dos próprios leilões promovidos pela ANP, onde o valor pago muitas vezes chega a ser maior do que o preço do óleo diesel.
A produção do biodiesel também gera resíduos, como a glicerina e a oleina, na proporção de 12%. E até mesmo esses resíduos são reaproveitados. A glicerina (substância utilizada pela indústria cosmética), por exemplo, é colocada na caldeira da fábrica de subprodutos para queimar juntamente com a lenha. Esse procedimento já gerou economia de 10% no consumo de lenha que, no mercado, tem valor maior do que a glicerina. Além de ser uma energia limpa, com menor teor de poluição, a fabricação de biodiesel também não gera nenhum outro resíduo, observa Ulinski.


