O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, disse ontem, durante palestra para cerca de 30 investidores e analistas estrangeiros na embaixada brasileira em Londres, que o governo federal não pretende destinar recursos para o pagamento das perdas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em decorrência dos planos econômicos que antecederam o real. ‘‘Vamos resistir muito a colocar um centavo do governo federal para resolver esta questão’’, disse Bier, que respondeu a uma pergunta feita por um dos investidores. ‘‘Quando o Tesouro paga é toda a sociedade que paga.’’
Segundo ele, as negociações para solucionar a questão do FGTS estão em andamento. ‘‘Esperamos que o ministro Francisco Dornelles (do Trabalho) consiga fechar um acordo em breve.’’
O secretário disse também que o governo não pode abrir mão da CPMF e que as discussões sobre o que fazer com o futuro do imposto também estão em curso dentro do governo. ‘‘Não vejo como podemos abrir mão do CPMF, que é uma importante fonte’’.
Questionado por um investidor sobre a carga tributária no País, Bier reconheceu que ela é elevada, mas disse que não será reduzida no curto e médio prazo. ‘‘Não estamos trabalhando com a idéia de reduzir a carga tributária, a menos que seja possível reduzir os gastos públicos ’’.
Reunião adiadaAs centrais sindicais poderão levar o debate sobre o pagamento da correção monetária devida às contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para dentro do Conselho Curador do fundo. O presidente da Social Democracia Sindical (SDS), Enilson Simões de Moura, afirmou que esta seria a melhor alterativa para os trabalhadores. Devido à morte do governador de São Paulo, Mário Covas, o encontro marcado para hoje entre o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, com representantes das centrais sindicais, foi adiado para o dia 13.

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