Os investidores estrangeiros estão vendo o racionamento de energia no País com mais serenidade do que os próprios analistas brasileiros. A avaliação é do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, que esteve em Nova York e Washington no início desta semana apresentando dados sobre o impacto da crise energética na economia brasileira.
A confiança demonstrada pelos analistas estrangeiros é um dos motivos que leva o governo a crer que não há necessidade de prorrogação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que termina no dia 1º de dezembro deste ano.
No entanto, durante as conversas com investidores e organismos internacionais, o governo apresentou estimativas de mercado traçadas para a economia, e não estudos feitos pela própria equipe econômica. ‘‘Nós não temos condições neste momento de fazer algo que nos deixe confortáveis em relação à qualidade das projeções’’, disse.
Segundo Bier, na próxima e última avaliação do acordo com o Fundo, que deverá ser feita entre o final deste mês e o início de julho, um dos parâmetros a ser revisto é o da dívida líquida do setor público, que deve ultrapassar as estimativas iniciais de R$ 612,5 bilhões até setembro. Isso porque a alta da taxa de câmbio tem forte influência no crescimento do estoque da dívida.
Por outro lado, o secretário afirmou que a meta de superávit primário consolidado (receitas menos despesas da União, Estados, municípios e empresas estatais) com o Fundo, estabelecida até setembro em R$ 29,6 bilhões, não deve ser alterada. ‘‘Há uma folga obtida até agora que garante o cumprimento da meta.’’ Não há, entretanto, meta anual no acordo com o FMI, mas o secretário garantiu que o resultado de Estados, municípios e suas empresas poderá ficar próximo dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Bier admitiu ainda que o fluxo de investimentos estrangeiros será menor do que os US$ 24 bilhões traçados inicialmente para este ano, mas que essa queda não tem relação direta com a crise de energia.

mockup