BID vai liberar quase US$ 1 bi ao Brasil
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domingo, 16 de março de 1997
Agências Reuters/AE e Folha 
BARCELONA - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deve liberar quatro empréstimos para o Brasil este ano, num total de quase US$ 1 bilhão. A maior liberação de recursos (US$ 500 milhões) será para aprimorar as operações administrativas do Ministério da Fazenda. Além disso, o País deve receber US$ 350 milhões para melhorar os serviços de saúde e comprar equipamentos médicos, US$ 78 milhões para ajudar na reforma fiscal e outros US$ 20 milhões para projetos de contenção de encostas em áreas de risco das grandes cidades.
O ministro do Planejamento, Antonio Kandir, representará o Brasil na reunião de cúpula do BID, que começa hoje com a presença do rei Juan Carlos, da Espanha. Segundo as agências internacionais de notícias, o principal tema da reunião será a luta contra as desigualdades sociais. Se apenas uns poucos se beneficiam do crescimento econômico, corremos o sério risco de ver explodir conflitos sociais em toda a América Latina, resumiu o ministro da Fazenda do Chile, Eduardo Aninat.
Técnicos do BID também divulgaram ontem o balanço dos empréstimos feitos no ano passado. No total, a instituição liberou US$ 6,765 bilhões para a região. O Brasil foi o maior beneficiado: recebeu US$ 1,699 bilhão ao longo de 1996. Desde 1961, o País já obteve US$ 14,180 bilhões em empréstimos.
Reformas lentas - O Brasil está entre os sete países que avançam mais lentamente em suas reformas, ao lado de Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México e Venezuela. Esse foi um dos dados apresentados ontem pelo economista-chefe do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ricardo Hausmann, que mostrou a atual situação dos países da América Latina e Caribe. Segundo ele, há um potencial médio de 5% de crescimento mais alto para países que fizeram reformas, seja no sistema educacional ou de administração.
O ministro do Planejamento, Antonio Kandir, que participou do seminário, afirmou que a lentidão ocorre porque as reformas são acompanhadas de um processo de elevação da credibilidade do governo. As críticas são superficiais e equivocadas, disse.
O diretor do Banco de Boston, Peter Allen, discorda que o Brasil possa crescer 5% em 1997. A taxa deve ficar entre 3,5% e 4%. Mais do que isso é impossível.
Pesquisa do banco sobre investimentos na América Latina mostra o Brasil em quarto lugar no interesse dos investidores dos Estados unidos (com 11%), atrás do México, Chile e Argentina. Isso pode estar relacionado com o fato de os investidores esperarem que as reformas passem no Congresso, disse Allen.
A pesquisa mostrou ainda que 80% dos investidores dos Estados Unidos confiam mais na América Latina hoje do que há cinco anos.


