BID prevê queda de crescimento na AL
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domingo, 15 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaBalançoO presidente do BID, Enrique Iglesias, que divulgou Relatório Anual do Banco, na Colômbia O crescimento econômico na América Latina cairá de 5,2% em 1997 para cerca de 3% neste ano. O Brasil, que responde por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) da região, deverá crescer entre zero e 1% em 1998. No entanto, a continuação das reformas estruturais e a persistência dos países em diminuir o déficit fiscal poderão amenizar os efeitos negativos da crise asiática nas economias latino-americanas. A recente redução do desemprego na Argentina, México e em outros sete países também é motivo de otimismo.
Esta é a avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre as perspectivas da economia latino-americana depois da turbulência nos mercados financeiros. O banco divulgou seu Relatório de 1997 durante a reunião anual, que começou dia 12 e vai até 18, em Cartagena, na Colômbia. Segundo o economista-chefe da instituição, Ricardo Hausmann, o impacto da crise asiática serviu para os países aprofundarem as reformas na direção certa. A elevação dos juros e o pacote fiscal adotados pelo Brasil foram medidas fundamentais para restabelecer a confiança na região.
O crescimento econômico no Brasil, especialmente, será mais lento em 1998, já que as medidas contracionistas necessárias para enfrentar a crise financeira afetarão temporariamente a atividade produtiva, diz o Relatório do BID. O documento prevê uma desaceleração transitória na maioria dos países latino-americanos em consequência de um crescimento um pouco mais lento da economia mundial. Mesmo assim, a menos que a crise financeira mundial piore muito, a desaquecimento da economia será moderado e passageiro. O BID acredita ainda que as perspectivas econômicas da região dependerão mais do cenário de longo prazo.
Por isso, ganham uma dimensão maior a continuidade das reformas estruturais e a redução do déficit fiscal, além do aumento dos investimentos nacionais. Na opinião do BID, esse conjunto de fatores eleva a confiança dos investidores estrangeiros ao mesmo tempo que reduz a dependência dos capitais externos. Os déficits fiscais continuaram moderados na maioria dos países durante 1997, representando pouco mais de 2% do PIB. Em contrapartida, houve aumento do déficit fiscal em 16 países e representaram 3% do PIB em cerca de 10 países, afirma o relatório.
O BID considera avanços nas reformas estruturais na América Latina o programa de privatização no Brasil - especialmente a venda da Vale do Rio Doce - e a venda de grandes bancos venezuelanos que haviam sido transformado em estatais na crise bancária de 1994. O Relatório cita ainda a redução das restrições aos investimentos estrangeiros nos setores de transportes e distribuição de energia no México, bem como o novo código de mineração na Bolívia, que aumentará a transparência do sistema de concessões. A privatização foi aprofundada ainda na Argentina, Colômbia, Guatemala e Guiana.
A recuperação econômica da América Latina - a taxa de crescimento de 5,2% registrada no ano passado foi a melhor desde 1980 - e a entrada de cerca de US$ 80 bilhões de capitais externos privados resultaram no aumento substancial do déficit em conta corrente. Esse déficit passou de US$ 35 bilhões em 1996 para US$ 60 bilhões em 1997, cerca de 3% do PIB da região. O Brasil, com um déficit em conta corrente de 4,15% do PIB, representou mais da metade do déficit de toda a região. O Brasil também responde por mais da metade do PIB global latino-americano, estimado em US$ 1,3 trilhão.
O Relatório do BID destaca ainda que o déficit em conta corrente foi inferior à entrada de capitais externos, gerando acumulação de reservas na maioria dos países - com exceção do Brasil, que perdeu cerca de US$ 8 bilhões em outubro passado. No total, o aumento das reservas foi de US$ 16 bilhões.
O documento oficial mostra que pelo quarto ano consecutivo, em 1997 o BID foi a principal agência oficial de crédito oficial, com um desembolso total de US$ 5,4 bilhões. Desse total, US$ 1,3 bilhões foram destinados ao Brasil, onde 60% desses recursos são aplicados em 16 dos 42 projetos do Programa Brasil em Ação.


