Brasília - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) poderá financiar em parte a construção de um gasoduto que sairá do Peru e abastecerá quatro países: Chile, Argentina, Brasil e Uruguai. Ontem os ministros de Economia e de Energia dos cinco países, reunidos em Lima (Peru), divulgaram nota conjunta em que defendem a necessidade de interconexão de suas redes de gás. Segundo eles, o projeto permitirá a expansão dos mercados e a redução dos riscos da indústria de gás. A iniciativa foi reforçada pela crise boliviana, que ameaça o abastecimento de gás no Brasil e na Argentina.
A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, participou do encontro, ao qual compareceram, além dos ministros dos outros quatro países, o presidente do Peru, Alejandro Toledo. Eles concordaram em iniciar um estudo de viabilidade sobre o gasoduto que, se concretizado, deverá operar a partir de 2007.
A reunião, conforme a nota, teve por objetivo dar passos necessários para concretizar um anel sul-americano de gasodutos. ''Nossos países produzem e consomem gás natural. Por isso, é imprescindível analisar a viabilidade de interconexão gasífera'', diz a nota. Ela considera a conveniência de integrar a esse projeto o governo da Bolívia.
A nota informa, também, que o BID se comprometeu a prestar assistência financeira e técnica para o projeto. Será criado um grupo de trabalho integrado por representantes de todos os ministérios envolvidos para analisar a proposta e recomendar um marco institucional, que será levado à consideração dos ministros. O projeto será também apresentado à Cúpula do Mercosul, que se reunirá na próxima segunda-feira, em Assunção (Paraguai).
O gasoduto ligaria a bacia de Camisea, no Peru, aos países do Cone Sul, incluindo o Brasil. Os custos do projeto são estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões, incluindo US$ 300 milhões a serem investidos em um gasoduto de Uruguaiana a Porto Alegre, que traria o gás peruano para o Brasil, passando pela Argentina.

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