BID libera US$ 1,8 bi para os países latinos
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Agência Estado 
BARCELONA - A 38ª Assembléia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) terminou ontem em Barcelona com um balanço otimista feito pelo ministro da Fazenda da Espanha, Rodrigo Rato, que durante três dias presidiu os trabalhos. Durante o encontro foram assinados contratos de crédito no valor de US$ 1,8 bilhão, para vários países da América Latina.
Desse total, pouco mais de US$ 1,5 bilhão se destinam ao financiamento de 22 projetos governamentais. O setor privado receberá US$ 224 milhões em empréstimos do BID. O presidente do banco, Enrique Iglesias, assinou também alguns contratos de investimento no valor total de US$ 600 mil, além de acordos que deverão beneficiar países da América Central, assegurar a construção da Rodovia Panamericana e a instalação de uma rede de eletrificação sub-regional.
No setor de energia, o projeto latino-americano de integração energética demandará recursos de aproximadamente US$ 100 bilhões. O plano, com prazo de dez anos, prevê a construção de uma rede elétrica que integrará 70 milhões de novos consumidores de países sul-americanos, entre eles Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador.
A Comissão Européia, órgão exectivo da União Européia, vai participar com recursos financeiros também na definição do projeto. Os detalhes do programa foram apresentados pela Comissão de Integração Elétrica Regional (Cier), organização não-governamental que agrupa 180 empresas de serviços energéticos dos dez países envolvidos. A Cier acredita que, devido ao crescimento do mercado sul-americano, será necesssário aumentar a geração de energia elétrica na região entre 70 mil e 163 mil Megawatts na próxima década.
O BID também celebrou um acordo com a Espanha para a criação de um fundo fiduciário no valor de US$ 3 milhões para custear serviços de consultoria em cooperação agrária, pesqueira e no setor de alimentos.
Faltou consenso, porém, para estabelecer a forma de recomposição do Fundo de Operações Especiais (FOE) da instituição, que custeia os financiamentos subsidiados e a fundo perdido concedidos aos cinco países mais pobres da região. Os países ricos, entre eles os Estados Unidos, Canadá e Japão, insistiram em elevar o spread cobrado nos empréstimos concedidos pelo banco, para assegurar a recomposição do fundo.
Mas o Brasil e o México, grandes tomadores de empréstimos na instituição, sugeriram que a recomposição seja feita por meio de novos aportes de capital dos países membros e na mesma proporção da participação de cada um no capital do banco. A proposta dos países ricos implica elevação do custo dos empréstimos.


