BID investe US$ 1,5 mi em programa para dekasseguis
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terça-feira, 27 de dezembro de 2005
Ana Paula Lacerda<br>Agência Estado 
São Paulo - Os brasileiros descendentes de japoneses que vão trabalhar no Japão, conhecidos como dekasseguis, receberão apoio quando retornarem ao País e quiserem montar seu próprio negócio. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) fez uma parceria com o projeto Dekassegui Empreendedor, organizado pelo Sebrae e pela Associação Brasileira de Dekasseguis, e vai investir ao longo de quatro anos US$ 1,55 milhão na capacitação dos trabalhadores que voltam para o Brasil. Uma primeira parcela - referente a 10% do total - deve ser liberada até o dia 31. O programa terá um orçamento total de US$ 3,1 milhões, sendo 50% do Sebrae e 50% do BID.
''Metade dos brasileiros que vão para o Japão tem vontade de montar um negócio no Brasil quando voltam'', diz o diretor da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), Kyoharu Miike. ''Em média, eles trazem US$ 60 mil para investir, mas não têm idéia de que tipo de empresa começar. Esse programa vai ajudar a orientá-los.''
Existem hoje cerca de 370 mil brasileiros trabalhando no Japão, principalmente em empresas do setor automotivo. ''Eles serão orientados antes de ir, durante a estadia lá e também na volta'', diz o coordenador do programa no Sebrae, Silmar Rodrigues. ''Quem já está lá ou já voltou também pode participar, apenas fará os módulos mais rapidamente.''
A princípio, serão atendidos os dekasseguis de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará. A partir de fevereiro, um representante do Sebrae estará percorrendo os quatro estados, e em março, este profissional será deslocado para Nagóia para iniciar os contatos com instituições e representantes dos dekasseguis no Japão. Segundo Rodrigues, a meta é que sejam capacitados cerca de dez mil dekasseguis em quatro anos e que pelo menos 1.000 abram uma empresa.
''Muita gente pensa que as pessoas vão para lá, ganham rios de dinheiro e ficam felizes'', diz a fisioterapeuta Erika Martins Sakaguti. Ela e o marido Eduardo foram para o Japão após se formarem, com a intenção de estudar e trabalhar. Trabalharam numa linha de montagem de uma fábrica - como faz a maioria dos dekasseguis. ''Por ser muito caro, só mais tarde conseguimos fazer um curso e aprimorar nossos conhecimentos trabalhando em uma clínica'', conta.
De volta ao País há 3 anos, o casal montou uma clínica em Curitiba. ''De bom, trouxemos a organização, a determinação e o respeito no trato com os clientes. Mas lidar com a burocracia do Brasil foi complicado.'' Para ela, programas que auxiliem os dekasseguis a empreender são muito bem-vindos. ''Vale a pena se informar desde lá para não sentir o choque depois. Já houve casos de gente que foi passada para trás por não saber no que investir o dinheiro que trouxeram.''
Rodrigues, do Sebrae, explica que o modelo utilizado no programa Dekassegui Empreendedor será desenvolvido para ser aplicado futuramente para outros grupos de migrantes.


