BID e Bird anunciam ajuda ao Brasil
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sexta-feira, 09 de outubro de 1998
Agência Estado 
Um dia depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciar que apoiará financeiramente o Brasil, duas outras instituições internacionais fizeram o mesmo. Ontem, o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgaram um comunicado conjunto, informando que contribuirão com recursos para ajudar o governo brasileiro a superar a crise e enfrentar a recessão.
O acordo, acertado em Washington, faz parte de um pacote maior, que inclui dinheiro do FMI, do grupo dos sete países mais ricos (G-7), e de bancos privados. Ninguém ainda sabe quanto cada qual dará, até porque o Congresso norte-americano ainda não decidiu se os Estados Unidos aumentarão sua contribuição ao FMI e qual será o tamanho desse aporte.
Mas o Bird e o BID já anunciaram que a sua parcela será destinada a projetos em quatro áreas: previdência social, reforma administrativa, mercado de trabalho e setor financeiro.
Esse apoio visa auxiliar o Brasil no combate aos efeitos da crise internacional e na retomada do crescimento econômico, protegendo, ao mesmo tempo, as camadas mais pobres da população, diz o comunicado. Os recursos destinados a esses fins representarão um aumento significativo da assistência financeira anual de ambas instituições.
Um dos negociadores do acordo explicou que o comunicado não foi mais detalhado porque os entendimentos apenas começaram: o pacote não só depende da definição de quanto cada instituição e cada governo dará, como dos compromissos que o Brasil assumirá para reduzir logo seu déficit fiscal.
A importância desse anúncio, como o da véspera, feito pelo FMI, é o que está escrito nas entrelinhas. O comunicado do FMI foi importante porque deixou claro que a instituição apóia a atual política de câmbio do Brasil e não cedeu às pressões de importantes bancos e empresários, que pediam a desvalorização do real, explicou o economista Eduardo Barker, da Tendências Consultoria.
O comunicado do Bird e do BID enviou o mesmo recado aos mercados. O governo brasileiro tem reagido de maneira ágil, reforçando a política monetária e intensificando seus esforços de ajuste macroeconômico, diz o texto.
Para os bancos (principalmente os alemães, mas também alguns norte-americanos e brasileiros), que lucrariam com a desvalorização do real (porque realizaram vendas futuras apostando num real mais barato), as instituições internacionais mostraram que apóiam a manutenção do câmbio.


