BID critica idéia de moeda única
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Kelly Lima<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A idéia de uma moeda única entre Brasil e Argentina foi duramente criticada pelos economistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em evento realizado ontem pela Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. A possibilidade de adoção da moeda havia voltado à tona por sugestão do vice-chanceler argentino, Martín Redrado, em sua visita esta semana ao Brasil.
''Apesar da simetria cambial verificada no momento, nada justifica esta unificação, que pode trazer mais malefícios do que benefícios'', afirmou o economista do BID Ernesto Stein, lembrando que as vantagens esperadas na década passada para se consolidarem após a adoção de uma moeda única não tiveram sucesso. ''Até pouco tempo, acreditava-se que os países que unificassem sua moeda poderiam até triplicar suas relações comerciais. O euro apresentou incremento entre 10% e 20% nas relações entre os países membros da União Européia e muito pouco disso se atribui à unificação da moeda'', comentou.
O economista argumentou que Brasil e Argentina possuem relações comerciais insuficientes para a adoção de uma moeda única. ''A relevância de uma unificação monetária depende da vontade política de aprofundar os acordos bilaterais'', considerou o subgerente do Departamento de Integração e Programas Regionais do BID, Robert Devlin.
Segundo ele, caso a unificação fosse uma vontade política dos dois governos, haveria ainda outro ponto a ser considerado, que é o da perda de independência da política monetária. Devlin avaliou que a intensificação desses acordos bilaterais tem de ser avaliada em seu âmbito global para que não prejudique a formação de outros acordos multilaterais mais vantajosos que às partes.
Para ele, sob o ponto de vista das exportações, a formação de acordos entre países da América Latina são mais vantajosos se forem feitos com a União Européia. ''Com um entendimento nesta área, as exportações poderiam apresentar crescimento maior.''
De forma alguma, em sua opinião, deveria haver a utilização de acordos bilaterais como ''barganha'' para obtenção de vantagens na negociação em outros acordos de maior porte, especialmente no caso da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ''É preciso que cada país tenha muito bem definidas suas metas e suas margens de negociação no mercado internacional para saber até onde pode ceder e aonde quer chegar exatamente. Em alguns casos, a utilização de acordos bilaterais regionais como barganha pode se tornar um grande obstáculo à obtenção de resultados finais'', comentou.
Acordos bilaterais, entretanto, podem se mostrar bastante vantajosos, disse Devlin, na medida em que dão mais ''voz'' aos países em desenvolvimento para negociar em conjunto. ''Acordos como o Mercosul são como uma peça-chave para a obtenção de bons resultados em grandes negociações'', afirmou.


