BID anuncia apoio a Argentina
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Das Agências 
Buenos Aires O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, manifestou ontem em Buenos Aires o apoio da instituição ao esforço de recuperação da economia argentina. ''Expressamos o desejo de nos juntarmos a este esforço de apoiar um programa sustentável de recuperação da economia, com um profundo sentido social'', disse o presidente do BID ao sair da sede do governo, depois de uma hora de reunião com o presidente Adolfo Rodríguez Saá. Perguntado sobre qual é sua opinião sobre a declaração de moratória da dívida pública argentina, Iglesias se recusou a responder.
Wall Street olha com desconfiança para o ''Argentino'', a terceira moeda que a Argentina emitirá em janeiro, e pede para que Buenos Aires pare de ''tentar ganhar tempo'' e aplique ''políticas sérias, de rigor'', destacou um especialista. Ontem o governo argentino enviou ao Congresso o projeto de criação da nova moeda, que já está sendo impressa e deverá entrar em circulação dentro de 15 dias.
O governo argentino, presidido por Adolfo Rodríguez Saá (peronista), garante que com a nova moeda serão pagos os salários estatais, estabelecendo liquidez na economia e provocando um aumento da renda. Também prometeu a criação de um milhão de empregos. ''Porém, a Argentina não deve prometer o que não pode cumprir'', advertiu Bruno Boccara, especialista da agência de classificação Standard and Poor's, prevendo o risco de que, com essas medidas, a Argentina caia no populismo, o que ''provocaria um colapso ainda maior da economia''.
A Argentina não deve pensar que colocar uma nova moeda em circulação representa uma solução para a crise. ''É uma medida econômica de transição, mas pode agravar o que o governo tenta evitar, uma desvalorização forte''.
Por isso, destacou a necessidade de que o governo elabore um planejamento coerente, que gere confiança na população e entre os investidores e credores internacionais. O governo argentino ''deve realizar uma transição, mas reconhecendo que é necessário um ajuste, que envolve políticas de rigor fiscal'', destacou o especialista. Ele também ressaltou a necessidade de se construir um ''consenso político'' entre os argentinos em torno do ajuste. Só assim, disse, a Argentina poderá recuperar a confiança interna, a dos mercados e a dos órgãos financeiros internacionais, acrescentou Boccara, concluindo que Wall Street considera que ''a Argentina um país que tem uma alta resistência às reformas''. E, além disso, quando as realiza ''são poucas e chegam sempre atrasadas''.
Ontem, a bolsa argentina reabriu após vários dias e despencou: fechou em baixa de 8,96%.


