O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai ampliar a cota de seus recursos destinada à composição de reserva dos países membros. Atualmente, essa rubrica está fixada em 15% do capital do banco, de US$ 112 bilhões. Não há ainda acordo sobre novo teto. A diretoria executiva do BID deve apresentar uma proposta até setembro.
Mas há um consenso, reforçado pela crise argentina, quanto à necessidade de aumentar os recursos para a chamada blindagem fiscal dos países latino-americanos. ‘‘A flexibilização é a resposta do banco’’, disse o presidente do BID, Enrique Iglesias, à pergunta sobre o que a instituição está fazendo para atenuar o eventual contágio dos países da região pela crise argentina. Outra cota que também será revista é a que restringe a 5% o volume de empréstimos no setor privado.
‘‘O BID deve assumir uma atuação anticíclica, oferecendo crédito quando for mais difícil para os países obterem’’, afirmou o ministro da Fazenda do Chile, Nicolás Eyzaguirre – eleito presidente da Assembléia de Governadores nos próximos 12 meses –, durante entrevista coletiva ao lado de Iglesias, depois do encerramento da 41ª Reunião Anual do BID, em Santiago.
O ministro do Planejamento, Martus Tavares, governador do BID pelo Brasil, que tem 10,7% de participação no banco, defendeu a flexibilização das cotas já no primeiro encontro que teve com Iglesias, em almoço no sábado, ao lado de ministros dos outros países do chamado nível A – Argentina, México e Venezuela. Os três países mais o Brasil arcam com 38% do capital do BID.
Os empréstimos do BID têm várias vantagens sobre outras formas de captação. Os juros cobrados pelo banco são mais baixos que os de mercado: 7,1%, atualmente. Além disso, os empréstimos saem mais rápido. As garantias de crédito para composição de reservas são ainda mais vantajosas, porque não entram como despesa no balanço de pagamentos.

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