BID abre reunião em meio a protestos à globalização
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segunda-feira, 19 de março de 2001
France PresseDe Santiago 
A abertura da 42ª Assembléia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Chile ontem foi marcada pelos habituais protestos contra a globalização e a marginalização dos pobres. O presidente chileno Ricardo Lagos deu início ao evento, que tem como convidados os presidentes da Argentina e do Uruguai, entre outras personalidades.
O argentino Fernando de la Rúa, que enfrenta em seu país protestos maciços contra um draconiano plano de ajuste econômico anunciado na última sexta-feira, garantiu em seu discurso que manterá o rumo de austeridade e cumprirá os compromissos feitos com a comunidade internacional em dezembro dentro do pacote de ajuda financeira de 40 bilhões de dólares.
Lagos, um socialista que preside um governo considerado modelo de ortodoxia e rigidez econômica na América Latina, elogiou a coragem de seu colega argentino. O mínimo que podemos fazer é aplaudir a coragem do presidente De la Rúa. O destino da Argentina é o destino de cada um de nossos países, avaliou. Já o presidente uruguaio, Jorge Batlle, criticou o protecionismo dos mercados dos países industrializados. Não podemos colocar no mercado internacional o que produzimos, porque os mesmos que exigem a abertura se fecham para o fruto do trabalho de nossa gente, apontou.
O presidente do BID, Enrique Iglesias, ressaltou que as turbulências sociais põem em risco os progressos alcançados à custa de grandes sacrifícios nos últimos 15 anos. Iglesias fez um apelo aos governantes para que dêem prioridade à diminuição da pobreza e a um desenvolvimento de maior qualidade, que aumente a distribuição de renda.
Estão presentes na Assembléia ministros da Economia e Fazenda de 26 países da América Latina e Caribe e altos funcionários de outros 20 países-membros do BID (Estados Unidos, Canadá, Japão, Israel e mais 16 da Europa). Empresários e banqueiros participam do evento, que termina amanhã.


