Brasília - O povo irlandês, segundo registra a história, quase desapareceu no século 19, quando a batata, o principal item da dieta no país, acabou por causa do ataque de um simples fungo. A fome assolou a Irlanda em 1840, depois que as lavouras de batata foram infestadas com o Phytophtora infestans, fazendo com que uma parte da população imigrasse principalmente para os Estados Unidos. Na América do Norte, irlandês era então sinônimo de ''pobre'' e ''ignorante''.
Este é apenas um exemplo do efeito que pode produzir a introdução de um organismo estranho a um ambiente, mas que encontra condições favoráveis para se propagar, e suas consequências nefastas, não só econômicas, mas também sociais. O trânsito dessas espécies, ditas invasoras, é cada vez mais comum num mundo globalizado e isso obriga os países a adotarem medidas de proteção sanitária do mercado agrícola. Por isso, as barreiras sanitárias, ainda que adotadas mediante caráter estritamente técnico, têm também um forte fator econômico.
Há o caso emblemático do Brasil, que passou do posto de um dos maiores exportadores de algodão, antes da década de 80, para o de maior importador depois da introdução do bicudo do algodoeiro, em 1982. O inseto causou grande impacto na economia nacional, com a destruição quase total de lavouras.
Hoje, depois de 20 anos, com a ajuda da pesquisa, o país voltou a exportar algodão, mas num volume ainda tímido em comparação aos números do passado. Medidas sanitárias adequadas, tomadas logo depois da entrada do inseto, teriam evitado que o impacto sócio-econômico fosse devastador, conforme destacou a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Maria Regina Vilarinho. (Agência Brasil)

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