A produção de bicho-da-seda vive um tempo de redenção na Vila Rural Esperança. A atividade, que andava meio em baixa, vive a expectativa de dias melhores. Mas o secretário municipal de Agricultura, Edgar Moser Júnior, estima que a China - maior produtor mundial de fios de seda, com 800 mil toneladas anuais - pode desacelerar sua produção para se dedicar ao cultivo de alimentos. O Brasil, embora produza apenas 8 mil toneladas/ano, deve se beneficiar com isso.
Junto com as boas notícias que vem do Oriente, os sericicultores do Noroeste paranaense também apostam em dias melhores motivados pela possibilidade deles próprios conseguirem transformar os casulos em produtos mais rentáveis. Vice-presidente da associação dos moradores, Paschoal Gargaro Neto, confessa que é muito bom sentir o gostinho de ver seu trabalho melhor recompensado. ''Um homem de 65 anos como eu ir até o banco pegar um dinheiro que veio da França? Isso foi maravilhoso'', comemora o descendente de italianos.
Ele avisa que o objetivo agora é ampliar a produção para ultrapassar as fronteiras franceses e chegar a outros países europeus. E, quem sabe um dia, poder competir com os chineses no continente deles. Vontade é o que não falta na Vila Rural Esperança, a maior do Paraná com cerca de 150 famílias. Há sete anos, quando foi instalada, a comunidade enfrentou dificuldades e muitos que conseguiram seus lotes acabaram desistindo. Outros, principalmente os homens, tiveram que buscar o sustento em outras atividades. Grande parte mão de obra masculina hoje atua no corte de cana ou então em um frigorífico.
Com isso, as mulheres do povoado acabaram assumindo a lida com o bicho-da-seda, que praticamente exige dedicação exclusiva. Este é o caso da agricultora Dirce Gonçalves dos Santos, cujo esposo e um dos filhos trabalham como cortador de cana e como açougueiro, respectivamente. Ela conta que os empregos fora da vila foram a única saída que tinham para melhorar a renda da família. Agora, ela espera que a produção de cachecóis faça renascer a atividade de sericicultor. ''Está sendo muito bom, principalmente porque a gente não esperava mais nada disso'', admite ela, que já colocou a nora para ajudar no trabalho no barracão onde são criados os bichos-da-seda.
Por tudo isso, Moser Júnior ressalta que o projeto dos cachecóis pode ser sim um importante atrativo para as famílias se manterem em suas atividades e não migrarem para os centros urbanos. ''Hoje, para fixar as pessoas no campo é complicado e esta iniciativa está permitindo elevar a renda das famílias e fazer com que elas se mantenham aqui'', argui. (L.A.)

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