Bezerra reassume a delegacia do Ministério da Agricultura
Vânia Casado
De Curitiba
O delegado afastado do Ministério da Agricultura em Curitiba, Mário Bezerra, reassume suas funções hoje, quando se encerra o período de 120 dias para a comissão de sindicância instaurada apurar as acusações de corrupção que pesam sobre ele. Bezerra disse que vai assumir suas funções de forma tranquila porque tem consciência que é vítima do processo administrativo instaurado.
Bezerra lamenta que a comissão de inquérito está com o processo administrativo quase concluído e não levou em consideração a defesa que apresentou. Bezerra insiste em dizer que o esquema montado pela Associação Comercial e Industrial de Paranaguá (Aciap) no porto de Paranaguá, denunciado por ele, permanece intacto. O caso começou em março desse ano, quando o delegado Bezerra disse que foi informado pelo escritório local do ministério em Paranaguá que funcionários estranhos ao serviço público estavam prestando serviços de emissão de certificados no ministério. O salário desses funcionários são bancados pela Associação Comercial e Industrial de Paranaguá. O delegado disse que determinou o fim desse esquema com os empresários locais, alegando que o serviço era exclusivo do ministério e não poderia ser atribuído à iniciativa privada.
Em seguida, os dirigentes da Aciap denunciaram Bezerra de cobrar propina para emissão de certificados fitossanitários para produtos de exportação. Na época os empresários gravaram uma fita onde apresentam negociações entre o chefe do escritório local, Lizuardo Delgado, e os dirigentes da Aciap. O assunto foi levado à imprensa e o então ministro da Agricultura, Francisco Turra, determinou o afastamento do delegado e a instauração do inquérito administrativo.
Bezerra disse que apesar de toda essa trama, o esquema em Paranaguá persiste e que os exportadores pagam de R$ 5,00 a R$ 10,00 cada emissão de certificado. Só que esse dinheiro é recolhido pela Aciap. E a entidade vem emitindo de 1.000 a 1.500 emissões por mês, o que resulta numa boa receita, ironizou. Além disso, Bezerra disse que é inadmissível que pessoas estranhas ao serviço público continuem transitando em áreas onde circulam informações privilegiadas de comércio exterior, onde elas podem beneficiar grandes grupos exportadores em detrimento dos pequenos, salientou.





