-Continuam em queda os indicadores de ocupação na indústria. Pesquisa do IBGE de julho confirma o quadro de retração que atinge o emprego no setor, registrando perda de 1% de junho para julho. Nos demais confrontos, os cortes dos postos de trabalho são os seguintes: - 5,7% em relação a julho do ano passado, - 5,6% no acumulado do ano e - 7% no acumulado dos últimos 12 meses.
- - -O comércio vai mal em Londrina, com vendas em baixa e inadimplência em alta. Antes, porém, que comecem a subestimar a cidade e os comerciantes, o representante-mor do setor avisa que a situação é praticamente a mesma em qualquer ponto do País.
‘‘Acabamos de sair de uma convenção nacional em Curitiba (do comércio varejista) que concluiu: o problema é a política monetária do governo, que mantém os juros altos e que não faz circular no mercado mais que 17% do PIB’’, declara o presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Igarassu Louzada.
Ele explica que, com as vendas em baixa e a inadimplência em alta, estão os desempregados. ‘‘Quando alguém perde o emprego, sofre primeiro a família, depois o comércio. Do jeito que vai, passando o Natal viveremos a pão e laranja’’.
Esse processo em cadeia é degradante, afirma Louzada. ‘‘Pior é que o governo não faz nada agora e vai fazer menos ainda no ano que vem, ano de eleições’’ - o governo não tem realmente nenhuma política de curto prazo que contemple a produção, o comércio em geral. Hoje está mais preocupado com as contas externas e os possíveis ataques estrangeiros, especulativos.
O economista Heron do Carmo, da Fipe, já alertou: esses juros podem reduzir o nível de atividade econômica e levar o País a uma recessão. O que vem do FMI, num relatório divulgado semana passada em Hong Kong, também preocupa: déficit público crescente no Brasil e projeções de aumentos (!!) nas taxas de juros.
O quadro é o seguinte: preços e vendas em queda, massa salarial em queda e falta de expectativa e de juros favoráveis para investimentos. O cheque pré-datado está perdendo a credibilidade, o crediário também encolheu e o dinheiro vivo não aparece. O quadro só não é mais feio porque recentemente o governo passou a estimular a exportação.
A saída para o comércio, na avaliação de Louzada, é uma faca de dois gumes. ‘‘Pode-se dar um bom desconto no preço à vista para criar um fluxo de caixa, mas dependendo do acordo que se fecha com o cliente, o comerciante pode acabar jogando fora a mercadoria e ficando sem condições de comprar um novo estoque’’.



IBGE confirma

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