O governador Jaime Lerner parecia entusiasmado com a iniciativa de Londrina, de atrair para a cidade uma caravana nunca vista no interior: embaixadores, cônsules e ministros conselheiros. Autoridades que representam 18 países. Da Europa à Ásia. Do Oriente Médio à América do Sul.
‘‘É uma grande idéia’’, falou o governador, ao desembarcar terça à noite para o encontro com a comitiva. Lerner até acha que esses embaixadores podem vir a ser parceiros de Londrina no processo de atração de investimentos. Acontecendo ou não o que ele imagina, o resultado é o mesmo: ninguém sai perdendo. Nem o município, que teve a oportunidade ímpar de se mostrar para uma platéia das mais seletas do país; nem Lerner, o governador.
Ele é um dos que mais circulam, dentro e fora do país, em busca de investimentos. E foi quem mais falou no café da manhã que Londrina preparou para os convidados. Mostrou os planos estratégicos que vêm por aí - o Anel de Integração, por exemplo, ligando pólos de produção a grandes mercados de consumo, Mercosul, inclusive. Citou índices de crescimento do Estado, enumerou as qualidades do povo e da terra. Usou até um pouco do francês e do inglês para se ‘‘comunicar’’.
Nada, porém, parecia ‘‘entusiasmar’’ tanto Lerner quanto a conversa sobre os dois senadores. Foi só aterrissar na cidade, e alguém dar a deixa, e ele disparou: em 175 anos de história do Senado, é a primeira vez que ele se volta contra o Paraná; porque Roberto Requião e Osmar Dias, aproveitando o processo de reeleição, resolveram atacar o Estado’’.
Dias atrás, o governador disse em cadeia estadual de rádio e tv que os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) estão barrando a análise de empréstimos de R$ 486 milhões ao Paraná, por puro oportunismo. São dois senadores paranaenses, travando investimentos paranaenses. Ele não se conforma.
Requião e Osmar Dias conseguiram suspender a análise na comissão de Assuntos Econômicos do Senado, alegando que o Paraná não tem mais capacidade de pagamento de empréstimos. A origem de tudo seria a Renault. E a coisa ficou assim: enquanto Lerner não mostra ao Senado o acordo que fez com a montadora, a comissão não analisa o empréstimo.
‘‘O Paraná é um dos dois estados brasileiros com capacidade de empréstimo. O Banco Mundial, a Caixa Econômica, todos aprovam. O Senado sabe disso’’, declarou Lerner em Londrina, dizendo ainda que se os estados não revelaram os seus acordos, ele também não revela. E ainda assim acredita na liberação dos recursos.60 ANOS
DE HISTÓRIA
O Associação Comercial e Industrial de Londrina comemora, hoje, os seus 60 anos. Vai ter festa. Começa com o lançamento de um livro - ‘‘Poder emergente no sertão’’ - que conta a história da entidade, desde a primeira reunião dos sócios, no salão do Líder Clube. Eram cerca de 30 comerciantes. O fundador: David Dequech, presidente 19 vezes. ‘‘Eu não vim para Londrina; Londrina é que veio para cá, depois de mim’’ - dizia ele, em tom de brincadeira. A história registrou a sua luta para fazer de Londrina uma grande cidade. Nas administrações de Dequech, a ACL (Associação Comercial de Londrina) liderou movimentos pela implantação do aeroporto, da Coletoria Federal, da Santa Casa, dos colégios Marista, Londrinense e Hugo Simas, do Tiro de Guerra. Os serviços de água e telefone também foram implantados na época em que Dequech presidia a entidade. Hoje também será aberta a exposição ‘‘Acil 60 anos’’. Tudo a partir das 20 horas.REAFIRMANDO
Alessandro Victorelli avisa aos navegantes que o Londrina AutoShopping não será um shopping só de produtos, serviços e equipamentos automotivos. Terá de tudo, de lojas âncoras (mix variado) a quiosques, fast-food, áreas de lazer. O grande destaque é o número de salas de cinema que ele vai abrigar: 12. O dobro do que Londrina tem hoje. É obra de 42 mil metros quadrados, na Avenida Leste-Oeste. São cinco pavimentos com estacionamento para 800 veículos. Conclusão prevista para abril.DEBATE
Sábado tem debate em Londrina sobre a reforma da Previdência, proposta de Beni Veras, senador do PSDB do Ceará. Proposta que mexe nos direitos constitucionais do trabalhador. O relatório que ele deve apresentar em breve, no Senado, estabelece a vinculação da idade com o tempo de contribuição à Previdência para o trabalhador se aposentar.
A desvinculação do reajuste do servidor da ativa com o do aposentado, o fim da aposentadoria especial para os professores e da aposentadoria proporcional são outros pontos que o senador pretende suprimir.
O Sindicato dos Bancários chama a população para o debate, às 15 horas, no auditório da OAB (Rua Professor João Cândido, 344). Estarão lá, Dalva Vernillo, procuradora do INSS/Londrina; o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), o assessor jurídico do sindicato, Carlos Scalassara, e o assessor da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Antonio Carlos Lazary. Telefone: 323-0035 ou 995-5377.

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