Curitiba - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, que esteve ontem em Curitiba, evitou comentar a queda do nível de desemprego registrada pela pesquisa do IBGE. Ele preferiu comentar o crescimento do emprego formal de trabalho, que criou 1,034 milhão de vagas de janeiro a junho deste ano, ''sem incluir os empregos informais, empregados domésticos e servidores públicos estatutários'', salientou.
Durante sua participação no XIV Congresso Brasileiro da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), que termina hoje em Curitiba, Berzoini falou sobre a discussão da reforma trabalhista. O projeto será enviado ao Congresso no ano que vem. Berzoini descartou a precarização das relações de trabalho e disse que a implementação da reforma prevê ''a modernização das relações de trabalho''. De acordo com o ministro, o governo só deve se manifestar após consenso entre trabalhadores e empregadores que estão discutindo a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no Fórum Nacional do Trabalho, em andamento neste segundo semestre.
Apesar do crescimento do nível de emprego, Berzoini admitiu que o governo não se dá por satisfeito. O ministro surpreendeu a platéia de empresários quando se colocou ao lado deles nas críticas aos altos custos da contratação de mão-de-obra.
Destacou que o potencial de crescimento do emprego no País é muito maior, mas para isso duas barreiras devem ser superadas: a carga tributária das contratações e o custo do capital, temas que devem entrar na pauta de discussões do governo nos próximos dois anos. Berzoini disse que esses problemas não foram enfrentados ainda por causa da força da estrutura sindical e o excesso de burocracia que onera as contratações.
Berzoini acredita que parte desses problemas será solucionada com a reforma sindical, que prevê o fim das contribuições compulsórias e a sobrevivência dos sindicatos que comprovadamente forem democráticos, representativos e transparentes. Sobre o custo do trabalho, as negociações estão emperrando no financiamento da Previdência Social.
A discussão de novas estratégias de financiamento da Previdência pode ser vinculada à redução dos empregos informais, observou. O ministro defendeu que as empresas que agregam mais valor e utilizam mais tecnologia recolham mais para a Previdência, para que as empresas com menos produtividade possam empregar mais. Berzoini falou ainda sobre a redução da jornada de trabalho, tema imposto pelas centrais sindicais na reforma trabalhista. O ministro ponderou que redução da jornada não pode ser confundida com perda de competitividade.

mockup