Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou à Agência Estado que são de ''má-fé'' as avaliações de alguns consultores, aos quais ele se referiu como ''molecada'', de que há um quadro de incertezas no mercado sobre a condução da política fiscal. ''Os especuladores criaram este quadro de incerteza em 2002 para prejudicar o presidente Lula e não conseguiram, mas o País foi muito prejudicado. Não podemos deixar que isso aconteça'', reagiu.
Em 2002, ano de eleição presidencial, movimentos contrários ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva propagavam a notícia de que ele mudaria a política econômica. Esses boatos levaram a uma crise econômica que deixou o País sem financiamento externo e com o risco País acima de 2 mil pontos. ''Essa é uma forma muito ruim de ganhar dinheiro'', criticou o ministro, referindo-se às análises de algumas consultorias que afirmam que o quadro de incertezas aumentou com o resultado ruim das contas públicas em junho. ''Não há quadro de incertezas. O Brasil tem uma previsibilidade muito grande para as empresas que querem investir. Acho lamentável que essa molecada fique divulgando estas informações.''
Segundo o ministro, essas informações que correm no mercado já são reflexos das eleições presidenciais no ano que vem. Bernardo disse que não vê riscos para a economia nem na possível candidata do PT, Dilma Rousseff, nem na possível candidatura de Serra.
Segundo ele, o governo também não abrirá mão do tripé - meta de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante. O ministro argumentou que o governo decidiu, neste momento de crise, abrir mão do rigor fiscal para que, em 2010, o custo fiscal para reativar a atividade econômica não fosse maior. ''Estamos convencidos de que fizemos a coisa certa'', afirmou.
O governo aposta na retomada do crescimento econômico a partir do segundo semestre deste ano para recuperar as receitas federais e, com isso, melhorar o quadro fiscal. Para Bernardo, a decisão ''consciente'' de abrir mão de receitas para ajudar a melhorar o ritmo da economia já está trazendo resultados. ''Fomos recompensados. A economia já dá sinais de que vencemos a crise'', disse. Bernardo afirmou que o governo poderá retomar, em 2010, o superávit primário de 3,3% do PIB e a trajetória de queda da dívida pública em relação ao PIB.

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