Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, explicou ontem que o governo só vai começar a fazer o pagamento adicional pelo chamado ''direito de cessão'' pela energia de Itaipu ao Paraguai depois que o acordo, celebrado no último final de semana, for aprovado pelos dois congressos, o brasileiro e o paraguaio. Pelo acordo, o pagamento feito pelo Brasil ao Paraguai aumentará dos atuais US$ 120 milhões para US$ 360 milhões por ano, ou seja, são US$ 240 milhões a mais por ano. ''Se o acordo não for aprovado nos dois congressos, zerou o acordo'', disse o ministro, após participar do 7º Congresso Internacional Brasil Competitivo. Bernardo disse ainda que não se sabe se o pagamento será retroativo e que essa questão ainda pode ser discutida.
O temor do governo, segundo fontes, é que os pagamentos comecem a ser feitos sem a aprovação do Congresso e que o presidente paraguaio volte a pressionar o Brasil para rever o acordo. Por isso, é importante o comprometimento dos dois lados para o cumprimento do acordo. O presidente Lula, segundo Bernardo, tem dito que, ''como Brasil e Paraguai vão continuar vizinhos'', é melhor que exista um acordo do que os dois países disputarem a questão num tribunal internacional. Ele disse que o governo brasileiro vai articular com o Congresso para que o acordo seja aprovado.
Bernardo contou ainda que Lula falou para o presidente paraguaio Fernando Lugo que era importante que o Paraguai também usasse essa energia excedente de Itaipu que pertence ao país vizinho. Segundo o ministro, Lula defendeu várias vezes com Lugo a industrialização do Paraguai para que essa energia fosse usada. Em Assunção, disse Bernardo, há falta de energia porque não há linha de transmissão. A avaliação do governo brasileiro é de que, se essa industrialização acontecesse, o Paraguai poderia ser um mercado para produtos brasileiros. Inclusive, lembrou o ministro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar uma linha férrea para o Paraguai que pode servir para o transporte de mercadoria.

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