O liquidante do Banco Bamerindus fará no início de junho o primeiro leilão dos imóveis que pertencem à massa em liquidação do banco paranaense, que sofreu intervenção do Banco Central, em março de 1997, e foi vendido em seguida ao grupo inglês HSBC. O leilão será o primeiro de uma série prevista para ocorrer em todos os Estados nos próximos meses. A venda estava suspensa desde junho do ano passado por força de decisão da 14ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. A liminar foi cassada no final de março pela juíza Terezinha Caserta, do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo.
Por enquanto, não há qualquer impedimento legal para se fazer o leilão, mas a Associação dos Investidores Minoritários do Grupo Bamerindus tenta reverter a situação. Os advogados que defendem os pequenos acionistas entraram com um agravo regimental no próprio TRF, pedindo que o leilão volte a ser proibido. Um dos advogados do grupo, Sandro Pereira dos Santos, alega que a venda dos imóveis será feita a preço vil, pois não houve uma avaliação correta. ‘‘A única avaliação dos imóveis foi realizada pela Câmara de Valores Imobiliários de São Paulo a pedido do HSBC, na época em que houve a intervenção. E isso é um absurdo, pois eles eram parte interessada’’, afirmou Santos.
Pelo edital do leilão, que chegou a ser publicado no ano passado antes de ser suspenso pela primera vez, o HSBC teria ainda a preferência de compra, isto é, ele teria direito de escolher se ficaria ou não com o imóvel, antes de o leiloeiro bater o martelo para outro comprador.
As regras para este novo leilão ainda não estão definidas, segundo informou ontem o assistente do liquidante do Bamerindus, Valdir Frasão. Ele afirmou que somente nos próximos dias vai ser possível confirmar a data certa e a quantidade de imóveis que serão vendidos. Devem ser cerca de 60 imóveis, segundo o escritório responsável pelo leilão Kurte Schneider. O funcionário do escritório William Ricardo informou ontem que o leiloeiro oficial se prepara para fazer a venda no dia 5 de junho.
O Banco Central autorizou o leilão e vai fiscalizar o processo de venda dos ativos do antigo Bamerindus. Segundo Frasão, há cerca de 200 imóveis que terão de ser vendidos em todo o País. São agências bancárias, terrenos, casas e apartamentos que fazem parte da massa em liquidação. ‘‘O leilão tem o objetivo de transformar os ativos em dinheiro para pagar os credores’’.
Frasão afirmou que ainda não há uma avaliação oficial de quanto será arrecadado com a venda dos imóveis. Mas devem ser cerca de R$ 2 milhões, com a venda dos 60 imóveis no Paraná, conforme previsão feita pelo auxiliar do liquidante. O advogado dos Investidores Minoritários estima que haja 600 imóveis e que eles renderiam R$ 150 milhões.

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