Rio de Janeiro - A indústria está ampliando investimentos, segundo mostram os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a produção de bens de capital - equipamentos que abastecem a própria indústria. O chefe da Coordenação do IBGE, Silvio Sales, diz que o efeito é ainda mais positivo quando constatado que há um ''espalhamento'' dos bens de capitais produzidos.
No segundo trimestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado, a produção de bens de capital cresceu 28,4%, puxado pelas máquinas e equipamentos para transporte (33,5%), construção (28,4%), para a própria indústria de transformação (17,7%), energia elétrica (11,5%) e setor agrícola (10,7%).
Segundo Sales, esses números confirmam os investimentos da indústria, que podem ser verificados também nos dados de importação de bens de capital, que cresceram 14,8% no acumulado de janeiro a julho deste ano ante igual período do ano passado.
Julio Callegari, da Tendências Consultoria, destaca que o consumo aparente de bens de capital (resultado da equação que soma produção e importação desse tipo de artigo e exclui as exportações) cresceu 14,4% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Para ele, esse é um sinal de que os investimentos da indústria continuarão com vigor no segundo semestre.
O segmento de bens de capital liderou o crescimento da indústria no primeiro semestre, como elevação de 25,2%. Foi seguido de perto pelo setor de bens duráveis (23,2%), mas houve aumento também em bens intermediários (6,2%). A lentidão da reação no mercado interno manteve a produção de bens de consumo não duráveis (alimentação e vestuário, basicamente) bem abaixo da média da indústria (2,1%). ''Esperava uma recuperação maior dos não duráveis, porque a renda voltou a crescer'', analisa Julio Sérgio Gomes de Almeida, do Iedi. Para ele, os produtos não duráveis deverão mostrar fôlego a partir de agora.
Entre as categorias pesquisadas, o maior aumento em junho, na comparação com igual período do ano passado, foi registrado em bens de consumo duráveis (36,7%), seguido de bens de capital (32,8%), bens intermediários (10,7%) e bens de consumo não-duráveis (6,3%). (AE)

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