Benefício encarece custo do ingresso
No Paraná, a meia entrada é estendida a estudantes, idosos e até doadores de sangue. Em Londrina, deficientes físicos também podem usufruir do preço pela metade. E este é o argumento dos produtores culturais: como muitos segmentos da sociedade podem pagar meio ingresso, o preço de espetáculos culturais e do cinema acabam encarecidos. E quem acaba pagando por isso são os outros espectadores, os que pagam o ''ingresso cheio''. Além disso, os produtores acabam utilizando de um outro artifício: dobram o preço do convite para que a maioria pague o preço inicialmente sugerido.
Em Londrina, a média de ocupação da meia entrada varia de 50% a 70% nos espetáculos. ''Londrina é pólo educacional e, por isso, tem grande público estudantil. A maioria dos eventos que a gente realiza empatam ou chegam a dar prejuízo, a não ser com patrocínios, que banquem o evento'', informa Alessandro Bisikirkas, promotor cultural do Teatro Marista. Ele acrescenta que o local oferece espetáculos de qualidade e, por isso, atrai um público seleto.
''O preço final do ingresso sobe, mas a lei tem que prevalecer'', argumenta Bisikirkas. Já o produtor Eduardo Holmes, responsável pelo ''O Mágico de Oz'', diz que a meia entrada é uma hipocrisia. '' Os políticos que fazem essas leis nem entram em um teatro ou, se entram, nunca pagam. O que acontece com isso é que muitos produtores dobram o preço final do ingresso e onera quem paga integral'', afirma. Ele, que mora em Novo Hamburgo (RS), diz que naquela cidade é costume conceder um ''desconto real'' aos estudantes. Por exemplo, se um ingresso custa R$ 50, estudantes pagam R$ 40.
Holmes também comenta que em Londrina há um outro problema: a cobrança de 5% do Imposto Sobre Serviços (ISS). ''Isso é um absurdo, a maioria dos municípios isenta esta taxa porque a cultura já está sucateada neste País'', diz. (F.M.)





