Beneficiários do governo são prejudicados
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os beneficiários de programas do governo federal são os principais prejudicados com a greve dos bancários, que dura 18 dias. Ontem, aposentados e pensionistas com inscrições finais 1 e 6 puderam procurar as redes bancárias para sacar o benefício. Quem não tinha cartão magnético para retirada do benefício no caixa eletrônico, teve que voltar para casa. Algumas agências centrais garantiram o atendimento aos aposentados. Entretanto, nem todas as agências da Caixa Econômica Federal (Caixa) e do Banco do Brasil (BB) atenderam os beneficiários que procuraram seus direitos.
Ao todo, 240 mil aposentados e pensionistas deverão estar procurando as redes bancárias até o final da semana que vem para sacar o benefício. ''Não conseguimos garantir o atendimento a todos porque a adesão ao movimento em bancos públicos é muito grande. Faltou quem pudesse prestar o serviço'', explicou ontem Marisa Stedile, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana. A expectativa do INSS é que cerca de 16,5 mil aposentados no Paraná tenham dificuldade para receber o benefício por não terem recebido ainda os cartões magnéticos.
Outros 1,7 mil paranaenses não poderão receber também o bolsa-família, benefício do governo federal concedido a pessoas com baixa renda e que recebem através da Caixa. Os desempregados Vilson José da Silva, 36 anos, e Gisele da Silva Nascimento, 24, foram tentar receber ontem o bolsa-família no valor de R$ 75 e tiveram que voltar para casa de mãos vazias. Eles contaram que foram a pé até o centro de Curitiba por falta de dinheiro. Os dois filhos, um de um ano e outro de quatro anos, estão passando fome. ''Não temos dinheiro para comprar arroz e feijão '', contou Silva, que argumentou que está procurando emprego diariamente, mas não consegue.
Gisele está desesperada. ''Não podemos ficar sem o benefício do bolsa-família. Esse dinheiro garantiria o leite e o feijão dos meus filhos. Pelo menos isso não pode faltar'', complementou ela. Os dois também estavam sem cartão magnético e só poderiam receber o benefício no caixa.
A viúva Nora Ney também estava nervosa. Ela tem quatro filhos para sustentar e está desempregada há dois meses. Ela foi até a agência central da Caixa na esperança de sacar o seguro-desemprego. Esperança em vão. ''Fico pensando como vou fazer para sobreviver se essa greve não acabar'', disse a viúva. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) iniciou esta semana a intermediação das negociações entre governo federal, bancários e banqueiros. A tentativa é a de buscar uma solução conjunta para pôr fim à greve. Ontem, estavam paradas 361 agências bancárias no Paraná. A adesão dos bancários ao movimento grevista era de 56%.


