Bem aceita redução da dívida pública atrelada ao câmbio
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terça-feira, 24 de dezembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - O economista-chefe da Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, acha válida a idéia do futuro presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, anunciada durante sua sabatina no Congresso Nacional, de substituir paulatinamente os papéis da dívida pública corrigidos em dólar por títulos atrelados ao real. Ele ressalta, no entanto, que o ideal seria que o BC mantivesse cerca de 10% dos papéis da dívida atrelados ao câmbio, como forma de garantir hedge e manter a diversificação do perfil da dívida.
''O mercado de câmbio flutuante ainda não está suficientemente desenvolvido para que haja uma oferta de hedge privado num caso de extremo estresse da economia, o que acabaria pressionando o câmbio'', diz Mathias.
Segundo ele, é péssimo ter um uma dívida cambial muito grande, mas que não seria benéfico para a economia reduzir para zero a participação dos títulos cambiais no perfil da dívida. Segundo o economista, atualmente os papéis dolarizados representam 21,5% do montante da dívida pública, que se encontra em torno de R$ 640 bilhões. Há dois anos eram 12%. ''O saudável seria reduzir o atual porcentual de 21,5% para algo em torno de 10% a 15%. Isso teria que ser feito dentro de um cenário previsível, com um prazo de dois anos. Menos que isso não seria interessante e nem viável'', diz o economista.
Mathias destaca ainda que, se estivesse no lugar de Meirelles, daria mais atenção ao perfil da dívida do que à simples troca de indexador. Desta forma, o prazo da dívida teria que ser alongado e criada condições para que houvesse uma movimentação da dívida na direção dos papéis prefixados, que caíram de 15% em 2000 para 8% em 2001 e para 4%, em 2002, sugere.''Para isso, o BC pode gerenciar a política monetária, o que culminaria na redução da inflação e na estabilidade do câmbio.''


