CAMPINAS - O economista e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Luiz Gonzaga Belluzzo, aprovou a decisão do Banco Central (BC) de reduzir, na última quarta-feira, a taxa básica de juros da economia em 0,50 ponto porcentual, para 11,50% ao ano.

Belluzzo, que também é sócio da Faculdade de Campinas (Facamp), conversou com jornalistas ontem (21), antes da cerimônia de lançamento do curso de pós-graduação da instituição. Questionado se não vê contradição na redução da Selic num momento de inflação ainda alta, alimentada principalmente pelo setor de serviços, que responde pouco à política de juros, Belluzzo disse que não. De acordo com ele, a inflação de serviços responde sim à política de juros porque é um setor que está sendo puxado pela demanda. "Então, responde sim à política de juros. O que eu estou dizendo é que essa inflação de serviços vem numa mudança estrutural, com a entrada de 2,2 milhões de pessoas que estavam no Bolsa-Família para o mercado de trabalho", explicou.

No entanto, Belluzzo recomendou que a redução da taxa de juros seja acompanhada de um controle duro dos gastos públicos. Perguntado se o que ele queria dizer é que o governo precisa gastar melhor, ou com mais qualidade, ele disse que não gosta desta expressão, porque parece referência a um orçamento doméstico. "Quando uma dona de casa corta gastos, ela prejudica poucas pessoas. No campo macro, quando o governo corta gastos, ele prejudica muita gente. Então, redução de gastos públicos não inclui investimentos", afirmou Belluzzo, acrescentando que se o governo deixar de investir a economia cairá ainda mais.

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