Beleza testada pela crise
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terça-feira, 29 de novembro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Tendo sofrido uma queda de 17% na receita, os salões de beleza contam com uma nova ferramenta para driblar a crise. A recém sancionada lei federal 13.352/2016 permite a esses estabelecimentos celebrarem contratos de parceria com profissionais que desempenham atividades de cabeleireiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador, em vez de registrá-los como empregados. A lei foi um dos assuntos tratados em palestra na noite desta segunda-feira, 28, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) pela diretora da Rede Studio W, de São Paulo, Rosângela Barchetta.
"Até então, os juízes não tinham o entendimento dessa relação profissional: a figura do meeiro ou profissional-parceiro, que sempre foi interessante para os dois lados e acabava ameaçando os negócios por não ser prevista na CLT", afirma. A lei, de acordo com ela, dá segurança para os salões de beleza, afastando passivos trabalhistas decorrentes do trabalho desses profissionais sem vínculo empregatício. "Também elimina a bitributação que até então acontecia. Agora, cada parte paga pelo seu percentual na receita daquele serviço", analisa.
O empresário londrinense, Lincoln Tramontini, do Lincoln Tramontini Ateliê de Beleza, também comemora a chegada da lei. "É a melhor notícias das últimas duas décadas para o nosso ramo. Sei que, a partir deste ano, terei apenas cinco anos de ameaça de um passivo trabalhista gerado pela insegurança jurídica que havia até este ano", afirma. Ele se refere ao período legal a partir do qual o trabalhador não pode mais apresentar reclamações trabalhistas à Justiça

CRISE
Segundo pesquisa feita pela Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), em parceria com o Sebrae, no último mês de setembro houve um recuo de faturamento do setor de 17% na comparação com o mesmo período do ano passado. O comércio de produtos como shampoos e cremes recuou 25%.
Para a Rosângela Barchetta, o bom atendimento é o melhor "elixir contra a crise". "Cada resultado obtido pelas estratégias que traçamos este ano foi celebrado e ficamos totalmente agradecidos pelos nossos clientes que reconhecem a qualidade dos nossos serviços", declara. Segundo ela, esse é o princípio que deve nortear as ações de qualquer empreendimento do setor, dos pequenos aos maiores. "Precisamos melhorar a gestão, oferecer soluções de beleza no lugar de resolver necessidades pontuais e engajar a equipe dando sentido a cada caminho traçado", descreve.
Ela admite que no Studio W, rede de alto padrão da capital paulista, registrou uma queda de 25%. Mesmo assim, não vê motivos para desânimo. "Beleza não é um luxo inacessível. A pessoa pode deixar de trocar de carro em um ano de crise, mas não fica sem pintar o cabelo branco, por exemplo", alega a diretora. Mas é preciso "sensibilizar" os profissionais da área para garantirem o bom atendimento. "Temos que sensibilizá-los de que eles são gestores da própria carreira e por isso devem estar cientes do quanto e como vão crescer", explica.
A crise, segundo ela, não impede a empresa de implantar uma nova loja em São Paulo, com um novo serviço, o W Basic, que pretende dispor de escova, tratamento capilar, maquiagem e sobrancelha de maneira ágil e customizada. "É um nicho de negócio que atende um público com pouco tempo no dia e que precisa deixar a aparência em ordem para um evento", esclarece.
ELIMINANDO CUSTOS
Lincoln Tramontini aposta em outra ferramenta para driblar a crise, a redução de custos. "Eliminamos custos, sobretudo em uma campanha intensa do uso consciente de água e energia. Esse refinamento de gestão dá sinais de que sairemos melhor do que éramos antes, tanto que os funcionários que ficaram, de junho para cá passaram a melhorar a rentabilidade", explica. Neste ano, o salão teve de reduzir de 14 para 9 o quadro de cabeleireiros. De acordo com ele, os profissionais aumentaram em até 59% seus ganhos. O estabelecimento ainda registra uma queda no faturamento de 21% na comparação com o ano passado.


